segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
O capítulo final da Raposa
Para recapitular, o julgamento havia sido interrompido pelo Ministro Carlos Alberto Direito para que esse "estudasse" mais profundamente a questão.
Antes do voto do Ministro Direito, apenas Carlos Ayres Britto, relator da ação, havia votado. Seu parecer foi favorável à demarcação contínua da Terra Indígena.
A Folha de SP de hoje antecipa que Carlos Direito votará de maneira contrária à indicação de Ayres Britto, empatando a disputa. A Folha antecipa também que outros dois votos (dos total de 11) são favoráveis à TI contínua.
De qualquer forma, cresce a corrente que busca uma solução intermediária ao caso. Esta solução seria a criação de uma "aberração político-constitucional" que permitisse o retalhamento da TI Raposa, de forma a não alterar de maneira significativa o impacto na produção de arroz do Estado.
(vale lembrar que grandes políticos locais dependem da riqueza gerada pelo arroz -ilegal- de Roraima).
O Brasil possui uma Carta Magna muito jovem (apenas 20 anos), não pode, por conta do interesse econômico de um "punhado de arrozeiros", modificar o direito à terra de milhares de índios .
Devemos zelar para que a nossa Constituição não seja rasgada nesse julgamento.
(SIM, o resultado deste julgamento refletirá em muitas disputas posteriores entre índios e brancos).
Torço para que a solução final não vire motivo para uma "guerra civil" e étnica no norte do país.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
A Ayahuasca como remédio de "madame"
O "chá", que é produzido através da mistura de de um cipó e de uma raiz, e é utilizado por mais de 300 povos da Amazônia Ocidental há , pelo menos, 2.500 anos como remédio e com fins ritualísticos.
A Ayahuasca já é objeto de estudos cientifícos há algum tempo, sendo até mesmo alvo de "biogrilagem" de laboratórios estrangeiros (ainda nos anos 90).
A USP divulgou pesquisa em que o chá foi ministrado para 2 pacientes que possuem depressão crônica comporvada.
Foi dado 1 copo da bebida (200 ml) para cada uma. Ficaram em observação por 3 dias.
Após algum tempo foi pedido que as pacientes relatassem as reações que sentiram.
Declararam melhora IMEDIATA, e 2 dias após a experiência, afirmaram ainda sentirem os efeitos da bebida.
"A depressão se foi e as cores da vida haviam voltado." delcarou uma das pacientes. E ambas gostariam de repetir a dose.
Agora, os cientistas esperam autorização do Comitê de Ética da USP para ampliar o número de pacientes envolvidos no estudo.
Jaime Eduardo Hallak, professor do Departamento de Neurociência e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina da USP, acredita que o chá amazônico pode se tornar base para algum novo anti-depressivo no futuro.
"A ayahuasca contém duas substâncias -harmina e dimetiltriptamina. A harmina é uma espécie de antidepressivo, mas o que causa o efeito imediato é a dimetiltriptanima, que gera o equivalente a um banho de serotonina no cérebro." afirma o prof. Jaime
O doutor Jaime afirma que o efeito do chá é mais rápido do que o de um comprimido tradicional.
Fico feliz em ver que o conhecimento tradicional (indígena) está servindo de base para a ciência moderna tratar as doenças que nos afligem, todavia gostaria de saber se os resultados destas pesquisas terão os benefícios revertidos às comunidades responsáveis por este conhecimento milenar.
Digo isto sempre, mas não sei se já escrevi em outros "posts".
A solução para muitos dos problemas que enfrentamos hoje e enfrentaremos no futuro, estão no "passado", no conhecimento tradicional, na floresta (que vale mais quando está "de pé" do que como pasto ou carvão).
Exemplos como o deste estudo só aumentam a razão de meus argumentos e corroboram as críticas que faço à destruição das Florestas do país.
O nosso Ex-Ministro Gilberto Gil transformou a Ayahuasca em patrimônio cultural nacional, espero que isso não seja só "figurativo", e sirva também para dar proteção legal a este tipo de conhecimento.
Amazônia deixará de existir se desmate chegar a 50%
Aproximandamente 20% da Floresta já foi desmatada, o que significa que se mais 30% forem destruídos, poderemos ver o surgimento de um novo bioma.
(fotos de satélite e previsões por computador dão conta de duas florestas tropicais com uma área de deserto entre elas).
Segundo o INPE, poderemos ter esse cenário (catastrófico) nos próximos 50 anos.
O lado "oriental" (parte Leste) da Amazônia é o mais frágil, se não for protegido poderá ser o primeiro a deixar de existir.
Os novos cálculos também desmistificam a idéia de que a Floresta sempre se regenera.
Dependendo da área desmatada, a recuperação pode deixar de acontecer.....
Se analisarmos apenas a questão hidrológica, o índice pluviométrico (incidência de chuvas) cairá em até 40%.
Quando se fala que a Amazônia poderá "virar" cerrado, também é se comete um erro, pois a vegetação que se prevê ali é mais pobre do que o cerrado que conhecemos hoje.
Teoricamente estamos diante de uma equação matemática, até 50% não há problemas, menos de 50% há (muitos) problemas, mas não é tão simples.
A Amazônia é um bioma muito bem protegido "no papel".
Há uma infinidade de Unidades de Conservação, sua reserva legal é de 80%, e há uma série de punições para quem desmata irregularmente.
Mesmo assim, frequentemente os satélites flagram queimadas e desmatamentos ilegais em áreas protegidas e todo o tipo de crime ambiental. Punindo ou não os criminosos, a recuperação da Floresta é lenta, e pode não dar conta da pressão que exercemos sobre ela.
O Nordeste, região brasileira que já sofre com a seca, será a primeira a ser afetada de maneira jamais vista......
"O Sertão não vai virar mar, mas o mar pode acabar virando sertão".
(Com auxílio de fonte: Eduardo Geraque/ Folha Online - 22/11)
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Aquecimento sem volta?
Segundo estudos da própria agência, a previsão mais otimista prevê aquecimento de Três Graus Celsius (em comparacão à era pré-industrial).
Pior, segundo a própria agência, os esforços para buscar o "aquecimento ZERO" neste século podem ser insuficientes e ineficazes.
Estas informações estão no "Panorama Global de Energia 2008", e ditam as tendências do clima entre 2006 e 2030.
Do jeito que estamos, não conseguiremos "frear" o aquecimento facilmente.
Os cientistas fixaram uma meta de aquecimento "seguro" de dois graus celsius para o Planeta. No ritmo atual, o Planeta aquecerá até 2100, até 6 graus. O que seria catastrófico.
Com uma política de contenção bastante agressiva conseguiremos um aquecimento "moderado" de 3 graus. Mas não há consenso se conseguiremos chegar mesmo a esta meta
moderada.
Tudo indica que o custo político, social e ambiental deste esforço pode ser "em vão".
Pode não haver capacidade tecnológica e mesmo política para uma redução real do problema. Do momento em que uma tecnologia nova (e mais limpa) é anunciada, até sua implantação em larga escala é realizada, podem ter se passado alguns anos, e é neste período que o estrago é feito.
Fica a dúvida:
Tentaremos salvar o "Titanic avariado", ou ficarmeos ouvindo a banda tocar e aproveitaremos a festa até o navio ir à pique?
(Fonte: Folha SP 10/11)
terça-feira, 11 de novembro de 2008
A caneta como aliada da moto-serra
Toda a propriedade privada tem que, por lei, garantir a preservação de uma área verde.
Este pedaço de área preservada é chamado de RESERVA LEGAL.
Cada região brasileira possui uma porcentagem de reserva legal que deve ser respeitada. No estado de São Paulo a porcentagem mínima exigida por lei é de 20%, em outros Estado pode ser de 50% ou até mais.
No caso dos estados da "Amazônia Legal", ou seja, estados que possuem floresta Amazônica (todos os Estados do Norte, mais MT, e parte do Maranhão), toda propriedade
tem que respeitar o limite de 80% de preservação.
Isto garantiria a manutenção deste bioma, mesmo com a acelerada ocupação humana.
A bancada ruralista quer fazer com que o limite de Reserva Legal da Amazônia caia de 80% para 50%. Com o argumento de "fomento 'a agricultura".
Se o desmatamento da Amazônia já é grande com essa limitação de 80% da área, imagina se ele for para 50% ?
O deputado "Sarneyzinho", filho do nosso ex-presidente, que é do PV e foi Ministro do Meio Ambiente do FFHH retirou esse projeto insano da pauta.
Só espero que não ressucitem este absurdo alguma hora.
O Greenpeace, que está fazendo um abaixo-assinado para imprdir esse absurdo chama o projeto "carinhosamente" de : Projeto Floresta-Zero.
(fonte: O Globo 11-11)
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Mentira e Crime em Jirau.
A pesquisadora Telma Monteiro foi a autora da denúncia.
A FUNAI enviou um ofício infomando o IBAMA ainda em 2006, reiterando a necessidade da não concessão da licença.
O mais supreendente é que no mês passado, o jornal "O Globo" denunciou este fato, e o consórcio Madeira Energia, responsável pela construção de Santo Antônio, se disse surpreso com a informação. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que esse era um problema da Funai.
A Funai e Ongs afirmam que o governo foi avisado, mas nada fez para paralizar o proceso licenciatório.
O EIA-Rima (estudo de impacto) da Usina de S. Antônio, convenientemente, não cita a existência de índios isolados. Talves, com o intuito de não atrasar o cronograma das obras.
A Funai vai mais longe, afirmando que além dos índios isolados, a usina afetará grupos e terras indígenas próximas (e já demarcadas) de maneira bastante significativa, mas que isso também não foi levado em conta pelo EIA-Rima atual.
De qualquer forma, o IBAMA parece ter "garantido" à Funai que as TI´s ameaçadas rio acima da Hidrelétrica não serão afetadas, a Funai, ao que parece, acreditou.
Não sei com funciona este tipo de negociação feita em nível institucional, mas me parece um tanto obscuro o método adotado.
Então a Funai sabia que havia índios isolados ali, sabia que havia Terras Indígenas que seriam afetadas, mas bastou uma "gesto de confiança" do IBAMA e está tudo resolvido?
Não sou especialista em Hidrelétrica (meu Tio Oswaldo o é, mas não sei o que ele pensa disso), mas acho um tanto suspeito um EIA-Rima ser aprovado tão "facilmente" mesmo com a existência de povos isolados nas cercanias do projeto. Normalmente é usado o "principio da precaução" e o projeto é analizado de maneira minuciosa.
Me pergunto se o PAC e os projetos de desenvolvimento do governo estão sendo aprovados com algum tipo de pressão institucional ou política, pois esta situação toda é muito INCOMUM (para dizer o mínimo).
Esta Usina parece uma obsessão do Governo Federal.
A Marina Silva (quando ministra do meio ambiente) bateu de frente com o Presidente Lula e com Dilma Roussef por atrasar o licenciamento do projeto. Acabou sendo ridicularizada e apelidada de "Ministra dos Bagres" nas alcovas do governo.
Evo Morales, presidente da Bolívia, afirmou que a Usina em questão impactaria uma área tão extensa que até seu país seria afetado.
Há menos de uma semana surgiu uma denuncia que a Usina teria sua localização modificada em 9km em relação ao projeto original, mas os responsáveis pela obra estariam tentando utilizar o mesmo EIA-Rima do início do empreendimento, algo claramente irregular (num flagrante desrespeito às leis ambientais).
Agora temos mais esta situação.
Parece que o governo quer "porque quer" que o projeto saia, mas decididamente não está se importando com o estrago ambiental e institucional que o projeto causa.
A quem interessa a Usina de Jirau? Por que o interesse em burlar tantas leis para que o projeto seja terminado?
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Não precisamos da Amazônia.
Acontece que o pesquisador Carlos Nobre (do Inpe e do IPPC) afirmou recentemente que não seria necessário ao Brasil avançar sobre a Floresta Amazônica para ampliar sua fronteira agricola. Afirma que o país possui 750 mil km2 de áreas já desmatadas e sub utilizadas, que poderiam servir para pasto, produção de grãos e cana. Ocorre que um terço das áreas desmatadas está abandonada, ou com baixa utilização.
Segundo Nobre: "Não há justificativa econômica para a expansão da fronteira agrícola".
Os argumentos de Nobre não me surpreendem, aliás, vou mais longe.... a Amazônia, há milhares de anos, foi um oceano (ou foi parte de um), seu solo é ácido e pobre. Assim que a vegetação é retirada, queimada e substituída por pasto ela passa a perder o (pouco) valor nutricional que possui. O pasto que substitui a floresta não se sustenta por mais do que duas ou três temporadas, desta forma, os ocupantes destas terras têm que mudar de área para manter a produtividade de seu negócio (seja ele plantação ou pecuária).
A Amazônia não possui vocação agrícola e não deveria ser encarada como "nova fronteira agrícola". Todavia, se é para encarar a Amazônia como fronteira agrícola, melhor que seja em áreas já desmatadas, que não são poucas....
Fica para a Ciência (cartesiana) a solução para melhorar a produtividade de terras ácidas.
Melhor isso do que a devastação de novas áreas.
(Fonte: Correio Braziliense, 30-10)
A Hidrelétrica de Jirau e a força do MPF
Segundo o MPF, a licença da Usina em questão foi fornecida sem os devidos estudos estarem finalizados, ou seja, "as pressas".
Caso esta situação persista, o MPF questionará a probidade administrativa dos direotores do IBAMA.
Esta disputa ocorre porque a Usina teve sua localização alterada (está a mais de 9 km do ponto original do projeto), e portanto, praticamente todos os estudos devem ser refeitos, já que trará "impactos ambientais, sociais e econômicos não devidamente mensurados (no projeto original)", segundo o MPF.
A ausência de estudos complementares poderá resultar em ação com base na Lei 8.429/92, que disciplina a conduta dos gestores públicos. Assim , Roberto Messias Franco, presidente do Ibama, poderia ser responsablizado pelas irregularidades na cessão das licenças.
Tudo isto está ocorrendo porque os envolvidos na obra não querem perder o prazo originalente estipulado para o termino do projeto (em 2012), ocorre que uma usina deste tamanho não pode ser feita "à toque de caixa" apenas para agradar políticos e respeitar o cronograma do PAC.
Segundo o representante do MPF, o procurador Mário Lúcio de Avelar :
A Aneel desborda de sua atribuição legal e se imiscuiu em considerações de ordem política - antecipando futura decisão que deveria ser técnica - para defender a construção do empreendimento hidrelétrica outro - fora do objeto da licitação e destoante daquele aprovado. Essa atitude não é somente temerária, ela encerra uma evidente violação à probidade administrativa porque desconsidera as conseqüências da instalação de um empreendimento cujos impactos sequer foram avaliados pelo órgão ambiental e aprovados pela área técnica da própria agência de energia. Tal atitude implica numa evidente afronta aos ditames legais que regulam a matéria"
O Procurador espera que o Ibama siga os trâmites de maneira correta, e inicie a elaboração de um novo EIA/Rima (Estudo de Impacto Ambiental). Que segundo o Ibama serão providenciados em breve.
É bom saber que o MPF está ciente desta situação, pois não se pode autorizar uma Hidrelétrica deste porte sem que todos os trâmites legais sejam respeitados. Não se pode aprovar uma obra apenas prque é conveniente (para uma parcela de políticos e empresários) aprova-la, ou mesmo porque ela é um dos carros-chefe do projeto do PAC.
Não vivemos mais uma Ditadura, na qual a palavra do Presidente "é lei". No Estado de Direito Brasileiro existem muitos orgãos regulatórios, que não existem à toa, e devem ser respeitados.
Por isso a Constituição de 1988 é muito importante, pois criou um Ministério Público muito forte (e ativo) que impedem situações como a desta Usina.
A autonomia (demasiada) do MPF já foi contestada diversas vezes, mas acredito que a autonomia deste orgão é, justamente, uma das coisas que impedem o Brasil de retroceder política e socialmente.
Aqueles que desejam a perda de poder do MPF, o fazem por que se beneficiariam diretamente disso.
Com auxílio das Fontes: Daniel Rittner - Valor Econômico /Amazonia.org) 30/10
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Para nao dizer que nao falei de Esportes
A Nota "tragica" vai ao nosso Guerreiro : Felipe Massa.
O cara fez a parte dele e, nao fossem os erros da Ferrari durante o ano, talves nesta segunda a F-1 teria um campeao diferente.
Triste porque perdeu na ultima curva....
Os caprichosos "Deuses do Esporte", piadistas que sao, so' reiteraram o exemplo de que "so termina quando acaba".
Nao se pode ignorar o fato do Hamilton ser o primeiro negro campeao de Formula 1 (esporte elitista e branco por natureza), como tambem e' o mais jovem campeao da historia deste esporte a motor.
Se Massa nao conseguiu na Pista, nos campos, quem parece que engrenou de vez foi o IMORTAL TRICOLOR DO MORUMBI . Que esta cada dia mais consistente, e agora, da' passos largos rumo ao (inacreditavel) HEXA CAMPEONATO.
Que o SPFC faca com que o F. Massa possa comemorar mais esse BRASILEIRAO e deixe seu 2008 um pouco menos amargo.
Para nao passar em branco, Marison Gomes conquistou o Bi-campeonato na maratona de NY (fato inedito para um sul-americano).
(voltamos a nossa programacao normal.....)
Velhos Amigos e o Futebol.
Era uma resenha do livro de Fernando Vianna (Fedola), de nome: "Boleiros do Cerrado".
Grata surpresa, apesar de recem-lancado, ja havia ouvido falar neste livro ha uns quatro ou cinco anos. Isto porque o Fedola foi meu companheiro de trabalho no ISA durante uns 3 anos.
Seu mestrado, que originou o livro eteve "na minha mesa", praticamente apos sair da impressora.
Ok, confesso, nao o li.
Afinal era muito grande, e so o "abstract" da primeira pagina ja poderia gerar umas duas horas de discussao. Entretanto, mesmo sem ler a monografia, sei de parte de seu conteudo porque e' inevitavel que em um escritorio que "respira" questao indigena essas coisas nao sejam discutidas de forma coletiva.
O Livro, diferentemente do projeto de mestrado, deve ser mais preparado para uma leitura "recreativa". E' possivel que o compre para ver, de fato, o trabalho do Fedola.
Fedola buscou neste projeto explicar a influencia do futebol (cultura-branca), no dia-dia dos Xavante, bem como buscou fazer algumas correlacoes entre a formacao dos times do ccampeonato Xavante e o parentesco entre eles.
Para realizar tal projeto, Fedola, ex-jogador do Juventus da Mooca (SP), Iraty (PR), e Noroeste de Bauru (SP); teve que se comprometer a ser tecnico dos indios e tambem a "garimpar" talentos para levar a clubes dos grandes centros.
Terminou com um livro inedito que trata da bem-sucedida interseccao entre a Cultura Europeia (English Footbal), com a "brasilidade" do indio (uma das facetas mais unicas de nossa cultura nacional).
Na minha pesquisa para escrever este "post", encontrei na pagina "que fim levou...." do Milton Neves, algumas informacoes sobre o Antropologo e Ex-Jogador Fedola.
Para os que se interessarem:
http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/QFL/Conteudo.aspx?ID=65497
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
O Velho Profeta e o Neo-Capitalismo
Este regime econômico atravessa os séculos graças a sua incrível capacidade de adaptação à condição política e social que se desenha naquele determinado momento histórico.
Um dos melhores termos que já ouvi para descrever este caráter “camaleônico” do Capitalismo é: "Conservadorismo Dinâmico".
Como Cientista Social que sou, fica quase impossível não citar a obra de Marx, este Gênio responsável por um dos melhores trabalhos científicos já publicados sobre um modelo econômico.
Talvez K. Marx seja o maior responsável por desvendar a "alma” deste sistema econômico (e que para muitos de meus companheiros de profissão tornou-se quase um "Deus na Terra", justamente pelo ineditísmo de seu pensamento).
Na verdade, não vou tão longe, ele era um dos melhores cientistas (de ciências humanas) que tivemos, mas esteve longe de ser Divindade.
Outros cientistas sociais "enchem a boca" para falar de (São) Karl Marx, mas no fim, só leram o "Manifesto Comunista" e alguns capítulos-chave de "O Capital" (assim com eu também fiz, pois, “O Capital” é enorme, complexo e, ainda assim, não chegou a ser finalizado ).
A análise marxiana é adequada à sua época.
Suas descobertas em relação a "mais valia" e ao "fetiche da mercadoria" foram essenciais para o melhor entendimento do sistema econômico que nos cerca até hoje.
Naquela época não se falava (tão pouco se imaginava) uma Crise Ambiental como a que vivemos hoje, muito menos, o tamanho do impacto da produção industrial na Natureza.
É preciso uma reavaliação de alguns conceitos, pois, a equação econômica do modelo marxiano possui uma variável ambiental, que na época de Marx estava oculta em seus estudos, mas hoje está incrivelmente latente.
Torna-se cada vez mais necessária a explicitação do valor (intrínseco) que o ambiente possui na produção industrial moderna.
A ONG WWF lançou um relatório em que considera o Brasil o 2º. maior credor ambiental do Planeta, perdendo apenas para os EUA (!!!???).
A conta da ONG inclui o impacto direto e indireto da produção e comercialização de produtos industrializados no ambiente natural.
Ou seja, a carne que é exportada do Brasil para a Europa passa a contabilizar as áreas desmatadas na Amazônia para pasto e também a água consumida pelo gado durante seu processo de engorda.
A WWF vai mais longe, afirmando que o cálculo do PIB deveria considerar (inclusive) os recursos naturais necessários à geração da riqueza daquela Nação.
Quem sabe, com essa mudança de postura (e consequentemente de cálculo), o Mundo comece a perceber que o valor do produto vai além do preço expresso na etiqueta...
Passaram-se quase de 150 anos desde que Marx escreveu seu "Master-Piece"... Muros subiram e caíram, bolsas quebraram e voltaram, houve duas Guerras Mundiais, e outras tantas guerras quentes e frias, bombas atômicas, conquistas espaciais e medicinais...
E o Capitalismo continua sendo encarado por muitos como na época de K. Marx.
Enquanto for desta maneira, não haverá saída para crise ambiental que bate à nossa porta.
Na minha humilde opinião, caso a produção industrial comece a contabilizar o passivo e o ativo ambiental das nações, o Brasil finalmente perderá sua condição de "emergente" para se tornar, enfim, a "maior Nação do novo milênio", capaz de criar novos paradigmas de desenvolvimento.
Pré-requisitos? Temos de sobra...
Mas isso é apenas um devaneio de um sociólogo/ambientalista sonhador
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Mundo poderia banir energia fóssil até 2090, caso se esforce para isso.
O Greenpeace divulgou um estudo em que afirma ser possível banir energia fóssil até o final do Século XXI.
O Greenpeace afirma que um investimento de US$ de 14 Trilhões em energias renováveis até 2030 seria suficiente para fomentar uma indústria de "energia limpa" de US$ 360 Bilhões.
Esse investimento inicial de US$ 14 Tri. pode gerar no "longuíssimo" prazo o retorno de até US$ 18 Tri. , ou seja, aqueles que vêem o mundo com uma perspectiva capitalista e "fria", não podem negar que o "retorno" seria de quase 30% do valor investido. Sem contar o benefício ao Planeta (que não se mede apenas em números).
O carvão mineral, uma das principais matrizes energéticas que possuímos, nos custará US$ 15,9 Trilhões até 2030.
A nota desta notícia é curta , e nas fontes que busquei (Reuters e Folha de SP) são idênticas. Espero poder ler o documento do Greenpeace na íntegra para um comentário mais aprofundado, pois parece que eles propõem uma saída bastante factível .
Soluções existem, mas 'as vezes parece faltar "vontade política".
Só para demonstrar como somos uma espécie curiosa, busquei um exemplo atual.
Em pouco mais de 1 mês de Crise Econômica, os Bancos Centrais de todo o Planeta já' injetaram no mercado financeiro mais dinheiro do que já foi investido em toda a História para a solução da questão do Aquecimento Global.
Não cabe aqui dizer qual dos dois problemas e' o mais importante , a Crise Capitalista ou o Aquecimento Global, mas ambos são de magnitude global e irão ditar os rumos de nosso futuro como espécie (social e biológica).
Não seria melhor se o investimento fosse equivalente nas duas esferas?
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Jose Maria Aznar (ex- premier Espanhol) é "Anti- Al Gore"
Sempre que alguém conhecido expõe um problema, está sujeito a aplausos e a críticas.
Com Al Gore não foi diferente. Seu vídeo ganhou o "Oscar" e suas palestras são vistas no mundo inteiro.
Como ambientalista (que me considero), já vi o vídeo um punhado de vezes.
Considero um vídeo interessante à quem não tem acesso direto`a questão ambiental, mas sei de suas limitações e falhas (que não são poucas) .
São essas limitações e falhas que impulsionaram o surgimento de uma série de vídeos e livros que contestam a tese de Gore.
A ultimas grandes personalidades a se manifestar sobre o assunto foram o ex-Premier Espanhol Jose Maria Aznar e o Presidente da República Checa Vaclav Klaus.
Sua arma é o livro "O Planeta Azul (não verde)" da Editora "Gota a Gota" (ainda inédito no Brasil).
Segundo a resenha do livro feita pelo jornal "El País" (ESP), os argumentos usados pelo autor destrincham a teoria de Gore, e rejeitam o argumento de que o aquecimento global é causa humana, sendo na verdade parte do ciclo de existência do Planeta.
Ou seja, o ciclo industrial humano não só não é responsável pelas mudanças climáticas que estamos enfrentando, assim como a diminuição do impacto humano no planeta não mudará em nada o processo do aquecimento global.
Que a teoria de AL Gore pode ser contestada, não há duvidas (sim, ela possui muitos furos), mas o IPCC (Painel Mundial de Mudanças Climáticas - em inglês), que é ligado a ONU já considera (com mais de 90% de certeza) que as causas do aumento de temperatura do Planeta tem "origem humana".
Duas coisas são surpreendentes nessa história toda:
Primeiro, José Maria Aznar é presidente da FAES (Fundación para el Análisis y Estudios Sociales). E possui muitas fontes de estudo para chegar às conclusões que expõe na publicação.
A outra é esta onda de "estadistas-escritores", que resolveram falar do tema "aquecimento global".
Por um lado, é bom que o assunto esteja sendo tratado nas altas esferas, mas ao mesmo tempo é curiosa a maneira como o tema é abordado.
Al Gore crítica (sem realmente criticar) o sistema capitalista vigente. Propondo formas mitigadoras do impacto, mas sem nunca questionar o modelo desenvolvimentista apregoado pelo país que ajudou a governar.
Aznar não crítica, pelo contrário, acredita que o modelo desenvolvimentista é correto e deve ser perpetuado.
(está bem, farei uma mea-culpa. não li o livro de Aznar, mas as resenhas deixam a entender a maneira como ele se posiciona ante esta questão).
Dá a impressão que os autores de "O Planeta Azul (não verde)" não querem ver seus países alijados do modelo capitalista de desenvolvimento justo agora.
A Espanha, por ainda não ser um País central na conjuntura Europeia (como são França, Alemanha e até Itália). Tanto que Zapatero (Premier sucessor de Aznar) não foi chamado para a Cúpula de discussão sobre a crise econômica que se realizará nos próximos dias em Washington (com todos os países do G-27, menos Espanha)
. A República Checa, por sua vez, afirma estar entrando "agora" na economia de mercado, e não quer perder a chance de dar ao mundo a sua parcela de "desenvolvimento" (leia-se poluição industrial).
No fim, parece uma briga de egos entre EX chefes de Estado.
Enfim, mesmo cheio de falhas, e com discurso "chapa branca", creio que Al Gore ainda tem mais razão em suas críticas do que seus opositores.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Orgulho em ser Ecochato.
Índios Isolados ou Esquecidos?
Já escrevi anteriormente que a categoria de índios "isolados" poderia ser chamada também de índios "refugiados", pois, são povos que estão adentrando cada vez mais a mata em busca de um isolamento ante a nossa sociedade .
O problema de alguns desses povos é a "fome energética" que o Brasil vive na atualidade.
Se Povos "mais do que conhecidos" , como os do Rio Xingu, estão com problemas seríssimos relacionados à Usina de Belo Monte. Os "isolados" do Madeira também sofrem com as obras da (futura) "Usina Hidrelétrica de Santo Antônio do Jirau".
Há relatos sobre a existência de pelo menos 5 grupos distintos de "isolados" na área de impacto direto da Usina de Jirau, sendo que um desses grupos está a meros 14 km do canteiro central de obras.
O Consórcio responsável pelo projeto afirma não ter nenhum relato que dê conta da existência de povos isolados, quanto mais estando tão próximos da obra. Sendo assim, dá-se continuidade ao processo de licenciamento e obras.
Ongs e movimentos sociais especializados em questão indígena afirmam que a ocupação da área por povos "isolados" já foi detectada há algum tempo, mas sumariamente ignorada pelo Governo, construtores e pelas forças políticas locais.
A Ong "Associação Etno - Ambiental Kanindé", denunciou formalmente o Governo Brasileiro e os responsáveis pela obra ao "Tribunal Latino americano da Água", pela arbitrariedade cometida na realização da obra, e o (conveniente) "esquecimento" dos estudos que poderiam detectar a presença desses povos na área de impacto da Usina.
Sidney Possuelo, ex-presidente da Funai, e um dos maiores especialistas em "Isolados" do Mundo, afirma que o Governo do Brasil pode responder por "crime contra populações indígenas".
A Obra, logicamente, corre o risco de ser suspensa.
"Pesa grande responsabilidade para a Funai em bater o pé e dizer: não tem canteiro de obras até que se verifique se os índios existem".
O caso é "surreal"!
O Governo, se esforça para não paralisar uma das obras mais emblemáticas do PAC, faz estudos às pressas e "esquece" de catalogar a existência desses povos.
Ora, são 5 Povos Isolados na região!!!
E mesmo estando isolados já havia indícios de sua existência. Bastava perguntar à Funai, ao ISA, ao Greenpeace....
Das duas uma, ou foi negligência , ou má-fé.
Seja qual for a opção "correta" a esta resposta, o prejuízo é dos Isolados, que foram tratados como "coisa" e não como cidadãos brasileiros (que realmente são).
Assim como pensa Possuelo, também creio que o Governo deve optar pelo estudo aprofundado de uma área antes de propor qualquer projeto de grande impacto. Não apenas "fingir" que estudou para apressar um projeto estratégico.
Acredito que o valor cultural desses Povos Isolados (mesmo estando isolados) é infinitamente mais importante do que a meia-dúzia de Megawatts provenientes desta obra.
Espero que o Governo também defina suas prioridades de maneira consciente e re-pense a necessidade desta Usina (e de outras também).
Oxalá atitudes como esta levem a mudanças no processo de demarcação de terras para povos isolados, fazendo com que qualquer sinal de presença dessas populações inicie um processo demarcatório feito "de fora para dentro", no qual a terra seria delimitada sem que eles nem ao menos se dessem conta disso, mas que garantiria a sua proteção contra a nossa presença.
(Com apoio das Fontes: Ambiente Brasil e O Globo - 20/10/08)
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Feliz 2009 - O Planeta já começou a contabilizar os desgaste ambiental do ano que vem.
Ou seja, faltando 3 meses para o fim do ano já chegamos ao limite de renovação que o planeta consegue se submeter em 12 meses.
Trocando em miúdos, estamos consumindo 12 meses de produção e renovação planetária em apenas 9 meses.
Para o Planeta Terra já estamos em 2009.
Ou seja, o os ecossitemas estão se deteriorando 25% mais rápido do que podem se recuperar.
Temos um "deficit" planetário de 100 dias ao ano, e pelo jeito estamos cada vez mais longe de "zerar" esta conta.
Faço uma analogia com as dívidas do "Cheque-Especial" bancário.
Uma vez que se entra em tal modalidade de crédito é cada vez mais complexo chegar ao "zero" e voltar ao "azul".
A tendência é que a dívida aumente mês a mês até que se chegue à concordata, ao protesto e ao SPC (Serviço de Porteção ao Crédito).
Começamos a "consumir 2008" no dia 6 de outubro de 2007. Este ano, 2009 começou 14 dias antes desta data completar 1 ano.
Quando "o Mercado" (este SER invisível e dominador e onipresente) passará a considerar em suas metas econômicas a variável do "impacto ambiental?"
Não dá mais para calcular o crescimento econômico sem considerar a capacidade do Planeta de suportar os altos níveis de consumo.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
FAO pede cautela na adoção de biocombustíveis.
A disputa da CVRD (Vale) contra os índios Xikrin
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Supresas Eleitorais
O maior destaque nacional e' dado ao Fernando Gabeira.
Tirou o (bispo) Crivella da disputa e vai concorrer com Eduardo Paes (PMDB) 'a prefeitura carioca.
Do Norte do Pais, grandes novidades.
A cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM), o município mais "indígena" do Brasil, (mais de 50% de seus habitante se auto-declaram índios).
Vem de lá a primeira "dupla municipal" (prefeito e vice) composta por dois índios. São da Etnia Tariano.
O Prefeito eleito e' Pedro Garcia (PT) , seu vice e' André Baniwa.
De Roraima talvez venha a maior vitoria.
A Cidade de Paracaima NÃO reelegeu Paulo César Quartieiro (DEM).
Vale lembrar que PC Quartieiro e' o maior plantador de arroz daquela região e também o maior opositor 'a demarcação da TI Raposa/Serra do Sol.
A partir do próximo ano assume Altemir Campo (PSDB).
Não conheço este politico, mas tudo indica ser opositor 'a atual prefeitura e a Paulo César Quartieiro.
Não sendo aliado dele já melhora muito.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A Seringueira do Brasil e a Biopirataria da Malásia.
Na verdade tenho que começar este "post" com uma correção:
domingo, 5 de outubro de 2008
O Tabu do Infanticídio Indígena.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Qual Floresta vale mais? A Replantada ou a Nativa?
A esta altura já é certo que Kyoto faliu, a não ratificação norte-americana sepultou este tratado.
O Governador Eduardo Braga falou sobre muitos assuntos interessantes nesta entrevista à "Band", inclusive dados que me espantaram positivamente.
Ele disse que: 98% da Amazônia em seu Estado está preservada (e deve isso à existência da Zona Franca de Manaus, que atraiu para si todo impacto industrial que poderia ser gerado na Floresta), talves o argumento soe um pouco exagerado, mas têm lá sua coerência .
Também falou muito sobre o valor da diversidade biológica e cultural brasileira, e dos constantes "ataques" das Multinacionais "Gringas" ao nosso patrimônio natural (vulgarmente conhecida como BIOPIRATARIA), e do esforço que está sendo feito para controlar, fiscalizar e regulamentar esta ação predatória em seu Estado. Atitude louvável ( e que falarei melhor futuramente, pois este assunto muito me interessa).
Sobre Kyoto, específicamente, o Governador levantou um questionamento muito significativo:
O Tratado prevê a remuneração aos países que resolverem replantar florestas devastadas (o que é ótimo para àqueles que já destruíram suas florestas e querem te-las, novamente, de alguma forma).
Todavia, NÃO HÁ NENHUM TIPO DE REMUNERAÇÃO para os países que preservam suas florestas "EM PÉ".
Ou seja, se o Brasil (hipotéticamente) transformasse a Amazônia em "pasto" e depois replantasse tudo , teria mais compensações financeiras do que mantendo -a intacta. UM ABSURDO.
Como detentores de tamanha riqueza natural deveríamos exigir que o próximo Tratado do Clima (se houver), inclua remuneração à "Floresta Nativa", pois as nossas Florestas possuem uma infinidade de valores, materiais e imateriais que nenhum dinheiro pode pagar, mas que com dinheiro investido corretamente, pode-se auxiliar a preservar.
Por isso acredito que a doação da Noruega (recentemente o país nórdico anunciou doação de US$ 1 Bi de ao Brasil a serem investido na preservação da Amazônia, nos próximos 7 anos), não deve ser encarada como tentativa de "comprar" a Amazônia. E sim, como um algo feito para o bem do Planeta.
(não sou "Pollyana", sei que não existe isso de "almoço grátis", mas prefiro pensar que os "vikings" já entenderam que Floresta de pé é mais lucrativa do que florestas de eucalipto replantado).
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A Malária Chega ao Nordeste.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Diamantes de Sangue - Made in Brazil
Esse recorde ocorre porque os diamantes em questão saem de uma Terra Indígena, a TI Roosevelt (dos índios Cinta-Larga), em Rondônia. Esses índios ficaram conhecidos em 2003 pelo massacre de mais de 30 garimpeiros que lavravam em sua terra. O Garimpo em TI, que sempre foi ilegal, passou a ter maior controle de autoridades e a Polícia Federal começou a vigiar (o que podia) desta rica TI. Ali, na TI Roosevelt reside uma das maiores (senão a maior) jazida de Diamantes do Mundo todo.
Saem dali diamantes raros e de ótima qualidade , coloridos inclusive .
Os índios (caciques em sua maioria), que possuem um conhecimento melhor do mundo dos brancos passaram a controlar a extração dessas pedras na TI e a lucrar com isso. Põe mais de 3000 índios para trabalhar e ficam com grande parte do resultado.
Mas como as pedras saem dali?
De várias maneiras. De avião (em aeronaves que pousam direntamente dentro da TI em pistas clandestinas); a pé, com os garimpeiros "menores" e nas "partes intímas" de todo tipo de pessoa que circula na área, até mesmo de alguns Políciais corruptos (que sempre existem por ai).
O lucro é dividido entre funcionários da Funai, com policiais e até com a parte da alta cupula da política rondoniense. (gostaria de deixar claro que nem todos os que ali estão fazem isso, mas que isso existe, sim, existe).
As gemas "viajam" para Cuiabá (MT), Minas Gerais e São Paulo, aonde são "esquentadas" (ou nem isso).
Ganham certificado do DNPM para poder circular de maneira livre pelo país. Dali vão para Antuérpia (Belgica) ou Tel-Aviv (Israel).
Locais aonde viraram jóias que adornarão pescoços abastados. Se voltarem ao Brasil, será em forma de uma boa caneta "Mont Blanc" ou em algum Relógio "Bulgari", ou bracelete "H. Stern".
Estas empresas dizem pedir "certificado de origem", mas quem garante? Pergunte a alguma socialaite o que é isso? tenho certeza que ela também não saberá.
A máfia dos diamantes é algo restrito a uma comunidade específica do Oriente Médio e os acordos são feitos na base da "palavra" e do sobrenome. Pouco importam papeis.
Cada vez que se ouvir sobre a prisão de contrabandistas com diamantes na região central do Brasil, pode ter certeza, essa carga saiu da TI Roosevelt (custando a saúde e/ou a vida de algum individuo Cinta-Larga, ou miserável garimpeiro).
São diamantes de sangue, mas sem o glamour da encenação de um Leonardo Di Caprio para dar o tom drámatico da situação.
(este assunto é muito sério e, no momento, não estou com o tempo necessário para escrever tudo o que sei sobre ele. Espero que isso já dê uma ideia do que falo, em breve escreverei mais detalhadamente, dando nomes aos bois, se possivel).
sábado, 13 de setembro de 2008
Angra 3 e suas 50 irmãs.
Ou seja, pretende-se que metade da energia elétrica brasileira tenha origem nuclear.
Não sou contra a energia nuclear, esta é a mais "limpa" dentre todas as formas encontradas pelo Homem para a produção em larga escala, mas por que tantas?
Fazendo uma média simplista, é como se cada Estado da Federação ganhasse, ao menos, uma usina e meia. Aonde caberá tudo isso? E no caso de uma catástrofe com uma delas (afinal seriam 50)?
Não se pode esquecer que as de Angra foram construidas em um local que os indígenas chamavam de "pedra mole" (não vou lembrar a nomenclatura exatamente). Mas deve explicar o o medo de quem mora ali próximo (uma das partes mais bonitas de Mata Atlântica ainda existentes) em enfrentar uma versão tapuia de "Chernobyl".
Com fundações em "pedra mole" e outros problemas , nos anos 80, a usina foi apelidada "vaga-lume" , pois era frequentemente ligada e desligada, reflexo de seu alto custo de manutenção e baixa produtividade energética.
Mal se decidiu o futuro de Angra 3 e já planejamos mais 50 Usinas.....
Será que não há outras maneiras de se garantir fornecimento energético a longo prazo? Será que revitalizar as linhas de transmissão e as Hidrelétricas já existentes não dariam um acréscimo de alguns gigawatts? E a Biomassa? e a energia solar? e os Cata-ventos, as "usinas de ondas"..... ?
Por que arriscamos tanto?
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Repercussão na Mídia, Nada como um pouco de divulgação.
Percebi o quanto o ultimo post foi polêmico, isso só me dá forças a continuar escrevendo cada vez mais e melhor.
Espero arrebanhar mais leitores, e assim, transformar este espaço em um local de discussões e debates relevantes.
Tomara que aqueles que tenham gostado da matéria de "Isolados" voltem (algum dia) para ler mais sobre algumas reflexões relacionadas à questão indígena e ambiental.
Nada melhor do que uma divulgação involuntária.
Aos Leitores,
Abraços.
Tigê
domingo, 7 de setembro de 2008
Ainda há índios isolados no mundo?

Mas Há!
Estimativas apontam para mais de 20 grupos espalhados pela selva amazônica entre Brasil e Peru.
O Sertanista Sidney Possuelo diz que: " Índio bom é índio bravo".
- São Nômades. Vivem em comunidades pequenas de 30 a 80 indivíduos (o que garante rápido deslocamento pela selva). Quando a comunidade cresce demais, tendem a se dividir em duas menores.
- São caçadores e coletores.
- Seu armamento é, em geral, feito de pedras e madeira (zarabatanas, arcos, flechas, bordunas e machadinhas). Mas, quando podem, assaltam viajantes e mateiros em busca de facas e outros utensílios usados por nossa cultura.
- Evitam contato direto com a sociedade branca, mas o fazem em situação que estão em maior número, para saquear acampamentos dos "invasores" (é muito comum que matem a "ameaça" externa como forma de garantir sua sobrevivência).
Ou seja, eles sabem da existência de nossa sociedade. COM CERTEZA!!!
Povos que já foram isolados (mas que hoje têm contato conosco) afirmam que o barulho feito por máquinas e árvores cortadas como "raio laser", eram sinais como os de E. T.´s. efetuando invasão. Ou seja, sinal de perigo.
Isso nos leva a crer que o isolamento é voluntário, quer dizer que eles têm medo do nosso contato (talvez prevendo a loucura de nossa civilização) e fogem cada vez mais "mata a dentro".
De qualquer maneira é importante efetuar um cadastro "mínimo" sobre a existência desses povos.
Primeiro, porque ainda há no mundo quem pense que não há mais povos isolados. O jornal Britânico "The Guardian" chamou de "fraude" as fotos dos "Isolados do Rio Evira". Comparou os "Isolados" ao Monstro do Lago Ness (dizendo que há relatos de sua existência, mas que nunca foram, de fato, vistos) .
O Jornal teve de se retratar publicamente depois que o "Terra Magazine " e o Governo Brasileiro encaminharam protesto formal e provas da veracidade dos documentos apresentados.
O Governo Peruano também duvida da existência dessas populações por uma razão mais "mundana".
A Amazônia fronteiriça é um local que possui, entre outras coisas, madeira de lei, petróleo e gás natural. Ao assumir a existência desses povos, cresce a pressão interna e externa para a proteção dessa gente (principalmente no tocante à demarcação de Terras).
Sendo um local de interesse econômico intenso, é melhor duvidar da existência e, com isso, dar continuidade a extração mineral e vegetal da região.
Ou seja, apesar de ser quase "poético" imaginar sociedades em "estado bruto", ou como diria Hobbes "em estado de natureza" em pleno século XXI, deve-se vê-los como "refugiados ambientais", em constante ameaça de morte e que correm para locais cada vez mais isolados do mapa para garantir sua sobrevivência.
ÍNDIOS ISOLADOS EXISTEM, MAS CORREM O RISCO DE EXTINÇÃO.
(Foto, fonte Funai)