segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Os EUA e o "Dilema de Tostines"

A junção de conhecimentos entre um estudante de Relações Internacionais e um militar reformado parece dar resultados interessantes (post feito a partir de conversas com meu, experientíssimo, avô Chico) .

Os EUA estão em grave crise, essa semana foram rebaixados nos índices econômicos da Standard & Poor´s. A crise econômica se torna política, as soluções parecem paliativas, baseadas em modelos antigos e parecem não estar surtindo o efeito desejado. Os EUA estão envolvidos em 3 guerras. Não sairam do Iraque, não deram prazo para sair do Afeganistão e estão, ativamente, envolvidos na "Primavera Árabe" (mormente nas revoltas da Líbia). Os americanos gastam, em média, US$ 2 bilhões por dia (é por DIA, mesmo) com esses conflitos. Esforço que obriga a emissão perdulária de moeda.

É principio capitalista que as indústrias sejam parte da soberania de cada Estado. Os EUA tranferiam a maior parte das suas para outros países do globo, onde a mão de obra é mais barata. A consequência é que, atualmente, o Produto Nacional Bruto (PNB) é maior do que o Produto Interno Bruto (PIB).

O PNB é todo o lucro ganho por empresas de um país, em território estrangeiro, e enviado ao país da matriz. O PIB é toda a riqueza produzida dentro do território de um país. Ou seja, os EUA recebem mais dinheiro vindo de empresas americanas com fábricas no exterior do que com as que estão dentro de suas fronteiras. Os EUA recebem muito dinheiro vindo do pagamento de licenças de uso e Royalties, mas, não da fabricação direta do produto. Vejam o exemplo do Ipod. No verso do "gadget" está escrito: "Designed at Sylicon Valley - CA". "Made in China". Os empregos de criação estão nos EUA, são altamente remunerados, mas existem em menor número do que os empregos em produção, de remeuneração mais baixa, mas com maior número de pessoas envolvidas na cadeia produtiva, que estão na China.

A situação se repete quando se analisa o mercado de carros, o de roupas, o de eletro-eletrônicos....A única indústria 100% americana é a indústria bélica (por questões de soberania). O jeito mais racional de se manter essa indústria em ação é produzir armas e produzir mercados para elas, ou seja, fomentando guerras.

O maior problema é que financiar os outros aspectos das guerras é caro. Caimos, então, no "Dilema de Tostines":
O país não quebra se continuar incentivar a indústria interna; entretanto, a indústria interna (que é bélica) exige altos investimentos para se manter (e mesmo assim, nunca empregará a maior parte da população).

Não será surpresa se os EUA, em breve, passarem a invadir mais países em busca de "commodities" para sustentar sua economia. Que é uma das formas de se trazer o dinheiro que já esteve nos EUA de volta a seu território.

Temos, à vista, uma equação complexa e e explosiva.

Conversava, durante o último fim de semana, com o João Bacellar ( fotógrafo e amigo, desde sempre), chegamos à conclusão de que nossa geração corre grande risco de presenciar um desses momentos "vértice" da sociedade humana. Ele, mais otimista, vê a possibilidade de uma crise aos moldes do "Crash de 29"; eu, mais fatalista, acredito em algo com impacto social semelhante a uma nova "Revolução Industrial" ou uma ''Segunda Guerra". Isso não é para "agora", mas poderia ocorrer em 10, 20, 30 anos..... (assim penso eu)

No fim, espero que ele esteja certo, minha previsão é assustadora demais.


(Fonte Imagem: http://spb.fotolog.com/photo/27/9/125/ceboladoce/1298145481368_f.jpg)

sábado, 6 de agosto de 2011

Sai Jobim, entra Amorim

Nelson Jobim é passado, após, praticamente, forçar sua saída nos últimos meses, o ex-ministro foi, efetivamente, retirado do cargo na quinta feira passada. Motivos para sua saída não faltaram. Criticou os rumos do governo atual, os colegas de Planalto e divulgou que votara no concorrente de sua empregadora, nas eleições passadas. Partindo do principio de que voto é secreto, divulgá-lo é desnecessário, afirmar que votou na "concorrência" é provocação gratuita que não passaria despercebida. Para agir dessa forma, Jobim deveria estar muito contrariado, que sabe, um dia, saberemos os reais motivos de sua demissão. Suspeito que tenha a ver com o descontrole da presidente em relação ao PMDB, mas isso é pura especulação minha.

Gostei da escolha de Celso Amorim para ministro da Defesa, acredito que o Itamaraty e a Defesa têm muito em comum. Ambos lidam com a preservação dos interesses nacionais no âmbito externo, a experiência obtida no naquele ministério será de muita valia nesse. Quando a mudança foi anunciada no jornal, eu estava na casa de meu avô (um Coronel do Exército, reformado, de 87 anos, mais lúcido que muitos jovens que existem por ai), não resisti e perguntei-lhe o que achava da troca. O corporativismo dele é suficientemente grande para que criticasse os dois ministros ( o novo e o anterior), creio que queria ver alguém de "Armas" naquele cargo, mas penso que a imagem de Jobim usando farda camuflada (foto) foi provocativa demais para o coração "verde oliva" de meu avô. O respeitoso senhor apenas desferiu: "Que roupa camuflada é essa? Qual a patente desse homem?" Calou-se, contrariado.

Como bom diplomata de carreira, Celso Amorim é bastante rodado, já passou pela área da Cultura (na extinta Embrafilme, nos anos 80) e é recordista em permanência na Pasta das Relações Exteriores, com dez anos e alguns meses, em duas passagens pelo Itamaraty (Governo Itamar Franco , 93-95 e Governo Lula, 2003-2010). Sua trajetória e, notória, competência política são indícios de que há grandes chances de boa condução da Pasta da Defesa, acredito em maior integração entre aquele ministério e o Itamaraty. Antônio Patriota e Amorim são da mesma escola política (herdeiros intelectuais de Samuel Pinheiro Guimarães), acreditam no "Brasil Grande", porta-voz dos "Emergentes" e igual aos "Desenvolvidos".

Não haverá espanto caso a questão da compra dos Caças ("Programa FX") volte à pauta e caso o Brasil decida reativar seu programa nuclear (de maneira mais veemente). Antes que os mais alarmados acreditem que o Brasil está se preparando para a guerra, adianto que é um pressuposto das Relações Internacionais que todo país que deseja ser "Potência" tem expertise nuclear e também tem Forças Armadas aparelhadas. Não há nada de mal nisso. Uma coisa é possuir armas, a outra, é usá-las. Nas Relações Exteriores a imagem conta muito; portanto, devemos mostrar ao mundo qual é a posição que nosso país deseja ocupar daqui para frente.

No fim, acredito que foi uma escolha sóbria de Dilma, a expectativa é positiva, espero que ela se confirme.

Fonte da Imagem : http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4e/Nelsonjobim.jpg)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Só o egoísmo salvará a espécie humana.

Questão Ambiental é a grande preocupação do momento. Carros "verdes", energias renováveis, shows de rock "sustentáveis". Ecologia, agora, é "mainstream". Há uma profusão de: "Salve as Baleias"; "Proteja a Amazônia", "Preserve a Natureza.".... Nas Conferências do Clima (COP-15, COP-16...) há quase uma aceitação geral de que o aquecimento terrestre é responsabilidade humana; sendo assim, políticamente são decididos os "limites" para o aumento da temperatura na Terra. Até agora, diz-se, 2 graus Celsius a mais de aquecimento, em média.

Em meio a essa profusão de dados, são esquecidos aspectos importantes da discussão:

1) NÃO EXISTE "DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL"

Ou há desenvolvimento ou há sustentabilidade. São decisões excludentes. A aceitação de um é a negação do outro. Aparentemente, a nossa escolha já foi feita, durma-se com ela.

2) O AQUECIMENTO GLOBAL NÃO PODE SER LIMITADO POR MEIO DE DECISÃO POLÍTICA


Alguns políticos falam em, aumento médio de, 1 grau nos próximos 100 anos. Outros falam em 2 graus, ou em 3 graus. Ignora-se o aspecto mais importante: A Terra já passou, dezenas de vezes, por processos de aquecimento e resfriamento. Extinções ocorreram, espécies foram criadas e destruídas. O Planeta permaneceu. Quando políticos decidem, na "canetada", o quanto estão dispostos a degradar o meio ambiente, esquecem-se do mais importante: Na última vez em que o Planeta esteve 3 graus mais quente (ou 3 graus mais frio), não havia seres humanos na Terra. Perde-se de vista que é a sobrevivência de nossa espécie (Homo-Sapiens-Sapiens) que está em jogo. Levaremos, conosco, milhares de organismos vivos (já exterminamos vários até o presente momento), extinguiremos outros mais.... No aspecto macro-ecológico isso não significa NADA. Se sobrar apenas um organismo unicelular, a vida poderá florecer novamente no Planisfério. Isso ocorreu anteriormente, nada impede que se repita. A grande diferença é que os ciclos planetários demoram milhares ou milhões de anos, o ser humano está alterando o ambiente em centenas de anos, muito pouco tempo para que todas as espécies se adaptem de forma adequada.

3) NÃO É O PLANETA QUE ESTÁ EM RISCO DE EXTINÇÃO, É O SER HUMANO.

Posso ser acusado de "egoísmo", visto que defendo a preservação humana; entretanto, egoista é o pensamento da espécie que, arrogantemente, se sobrepõe à vida de todas as outras que coabitam essa "rocha". Salvar as baleias, as focas, os ornitorrincos.... é importante, mas, é mais importante a NOSSA salvação. Se lograrmos salvar a nossa espécie, a reboque, salvaremos outras tantas.

Tem-se que ser considerado que, em última instância, o Planeta é maior do que a arrogância humana, seus mecanismos cíclicos são auto-reguláveis e a vida teima em reaparecer, mesmo após extinções massivas. A vida será destruida, mas voltará, não voltará no mesmo formato, mas voltará, centenas e centenas de vezes. Essa é uma verdade irrevogável.

Há, ainda, aqueles que acreditam que o ser humano deve lançar-se ao espaço para colonizar outros mundos. Estes se esquecem que o local mais adaptado à vida humana é a Terra. Viver em outros locais não é possível e, mesmo que um dia seja, será caro demais para que todos possam se mudar. Ainda é mais barato mudar nossa própria casa do que buscar outra.

A campanha está errada. Não é "Salve o Planeta" ; mas sim : "Salve a Humanidade".





(Imagem: fonte http://3.bp.blogspot.com/-9Hv8fbHOMR0/Tc83b4IKkCI/AAAAAAAAABQ/mocI7pSKzSk/s1600/Egoismo%255B1%255D.jpg)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A arte de reaprender a escrever.

Escrever é arte. Usando esse conceito, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Carlos Ayres Britto,justificou o fim da obrigatoriedade de diploma, para o exercício da profissão de jornalista.
Concordo com o magistrado, difícil é ser criativo e respeitar a norma culta ao mesmo tempo. No início de Maio, vivenciei momentos de profundo desalento, motivado pela dificuldade em adaptar-me a rigidez do português oficial.

As provas para o Itamaraty haviam passado e eu iniciava o Curso Clio, especializado nesse exame, para aumentar minhas chances no certame do próximo ano. Minha vida deu uma guinada após a mal-fadada AULA DE REDAÇÃO. O professor, um carioca chamado Max, muito gente fina, foi diretamente ao ponto:
Vocês são diferenciados, não é qualquer um que decide pela diplomacia. Provavelmente, foram ótimos alunos durante toda sua vida acadêmica, muitos de vocês já devem ter mestrado ou doutorado, outros devem, até mesmo, ser professores universitários. Notas baixas não fazem parte da sua realidade. Pois é, isso é passado. Esse curso vai ensiná-los a usar a norma culta no grau mais exigente possível. Vou "canetar" suas redações sem piedade, serão comuns os ZEROS e, mesmo, notas NEGATIVAS. Preparem-se!
Em seguida, veio um bloco de folhas com tudo o que se pode e o que não se pode fazer em uma redação de Segunda Fase - do Exame de Admissão do Instituto Rio Branco - a lista dos "NÃO" era muito mais extensa do que a do "SIM". Sai da sala abalado, fiquei "sem chão". Tudo o que havia aprendido até ali não servia. Mais de 20 anos construindo um estilo próprio de escrita e teria de abdicar dele. Senti como se tivessem me roubado a identidade. Pensei em desabar ali mesmo, cogitei desistir de tudo e virar "hippie". A primeira tarefa, uma interpretação fácil, de 25 linhas, sobre Machado de Assis, não consegui nem começar. Na semana seguinte, fui conversar com o professor, contei-lhe sobre o meu "travamento" e perguntei-lhe se deveria fazer um "pré-curso" de Redação antes de fazer esse. Fui acalmado, o carioca mandou-me fazer do jeito que estava acostumado, as correções seriam feitas sem piedade, mas haveria ensinamento conjuntamente com a "canetada". Comparou a nova fase como alguém que aprender a dirigir automóvel. No início, é complexo, depois, "sai naturalmente". Ganhei confiança.

No início, achava que seria o curso mais difícil da minha vida. Mudei a abordagem, decidi que seria o melhor curso da minha vida. Faria as propostas de aula até ficarem do jeito que eu queria. Atualmente, reescrevo cada redação, em média, 5 vezes, antes de entregar, trabalho, o que me toma uns 5 dias. Quase não me dedico ao resto do curso, aprender esse formato de escrita do Itamaraty virou questão de honra, obsessão. Será duro quando tiver que fazer a resenha em 5 horas.

Passaram-se 2 meses desde o início do curso, a exigência é alta mesmo, achava que perderia meu estilo, hoje, vejo que meu estilo ficará ainda mais apurado. A falta de recursos linguísticos faz aflorar a criatividade. Não ZEREI em nenhuma tarefa, minha média de notas é 7.5, parece pouco, mas, não é. Sei que sou um dos melhores da classe, sem mestrado e sem doutorado, ânimo renovado. É surpreendente quando a pessoa apanha em todas aulas e sai feliz. Consegui postar minha primeira dissertação, espero que o tamanho dela seja suficiente para a leitura e que os (poucos e corajosos) leitores desse blog, tenham paciência para chegar ao fim dela. Deu muito trabalho para ser concluida, e o dobro de satisfação após ser corrigida.

Devo agradecer ao Celso Forster, amigo de infância e jornalista, que me ajudou a colocar os pensamentos no lugar quando a situação estava crítica e eu pensava em desistir. Obrigado, irmão.



(Fonte da imagem: http://www.not1.com.br/wp-content/uploads/2010/11/caneta-tinteiro-colecionadores.jpg)

sexta-feira, 25 de março de 2011

Ajustes de trajetória.

O desempenho do Governo Dilma no aspecto "Política Externa" é breve, porém louvável.

Chamou Antônio Patriota para a o comando do Itamaraty, mostrando que a "linha master" das Relações Internacionais do Brasil seria mantida, ao mesmo tempo, já dá sinais de que atuará com maior independência em outras questões pontuais. A condenação presidencial ao possível apedrejamento de Sakineh Ashtani foi o primeiro sinal de distanciamento feito por Dilma em relação ao Irã e também a seu antecessor. O que parecia um movimento isolado, toma feições de guinada mais ampla.

Ainda não é possível dizer que o "voto contra" o Irã na Comissão de Direitos Humanos da ONU é algo histórico, não há implicações práticas, é apenas uma "reprimenda". Mesmo assim, é uma evolução. O país persa nunca foi um parceiro de peso para as relações externas do Brasil, nossa simpatia pelo "país dos Aiatolás" parece se dever a resquícios de "anti-americanismo teimoso" , que aos poucos, se desfaz. As relações internacionais regidas por sentimentalismos tendem a ser menos produtivas do que as regidas por motivações técnicas e interesses concretos. Não há problema em se alinhar, hora com americanos, hora com iranianos desde que se saiba o "porquê" de tal postura. Cada caso é um caso.

Em certos pontos, defendo o alinhamento brasileiro em relação ao Irã. Os persas têm direito a buscar autossuficiência nuclear e a comunidade internacional tem que aceitar esse direito, os iranianos são signatários do TNP, e até que se prove o contrário, desenvolvem um programa nuclear pacífico. De fato, todos os países têm o direito de perseguir o domínio do ciclo nuclear. Usar armas nucleares já é uma outra questão...

O Brasil tem que agir de maneira independente, ser pragmático, evitar alinhamentos "a priori". Nosso texto constitucional defende o respeito aos direitos humanos, se acharmos que um país merece uma menção negativa, devemos fazê-la. Dilma, uma técnica por natureza, parece ter compreendido isso. O novo governo não tem nem cem dias, mas há grande esforço para mostrar que Dilma não é um "Lula 3", esfroço positivo e plausível. Torçamos!

Outros Assuntos:

Obama no Brasil.

Em relação à visita de Obama ao Brasil, é interessante ressaltar a intenção de reaproximação entre os dois países. São os líderes do Continente Americano, têm mesmo que se manter próximos. O primeiro passo foi dado, tímido, é verdade, mas espera-se evolução daqui para frente.

Para mim, o ponto negativo foi a "excessiva blindagem" ao mandatário norte-americano, é ultrajante ter Ministros de Estado revistados por agentes da CIA em território nacional. Ok, há uma estatística que afirma que um presidente americano sofre um atentado a cada 12 anos , o que justificaria a paranóia que cerca seu "Commander in Chief," mas é improvável acreditar em "ataque suicida" de um funcionário de primeiro escalão do governo brasileiro. A ABIN e a PF poderiam ter cumprido a função de garantir a integridade da comitiva americana com maior "elegância" e sem desacatar a soberania nacional, afinal, possuem gabarito para tal.


Ficha Limpa.

Como todos os que prezam a democracia também fiquei frustrado com o resultado da votação no STF. Queria que a lei valesse desde já e os "ficha-suja" extirpados do quadro parlamentar do país. Não concordo com o resultado final da votação dessa lei mas entendo os argumentos de quem votou. No lado positivo, devemos enaltecer a vontade de mudança e a validade da lei para 2012. Antes tarde do que nunca. Como já imaginava, Ayres Britto votou favoravelmente à "ficha limpa", mais de uma vez usei esse espaço para enaltecer o trabalho deste excelente jurista. Longe de me comparar a um juiz do STF, é incrível ver que seu votos quase sempre são iguais à postura que eu adotaria (se fosse eu um magistrado da Suprema Corte brasileira).

Juiz nunca serei, diplomata, em breve!



(Imagem, fonte: http://4.bp.blogspot.com/_GunLlP9n17U/TRBZkSJ4S0I/AAAAAAAABIA/YIbhAzf-zE0/s1600/dilma_beija_lula.jpg)

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Dividir e Conquistar" - O Plano "B" dos EUA no Afeganistão .

Atualmente Há quase uma unanimidade entre analistas políticos em relação à derrota americana em solo afegão. São dez anos de "ocupação", muitas baixas, um gasto astronômico e pouco ganho real.

Deve ser feita uma ressalva. Algumas vitórias foram alcançadas pelos EUA:

A "Al Qaeda" teve seus "campos de treinamento" desmobilizados, os Talebans não controlam as capitais do país, estão circunscritos ãs áreas "rurais" e..... ( bom, talvez seja só isso mesmo).

Bin Laden, motivo primordial para a invasão, nunca foi encontrado. Há ainda uma vasta área do país (sul e leste) que são "incontroláveis". Tais regiões são classificadas como "Safe Heavens" ( em tradução livre: "Paraísos"), ficam na região montanhosa do país, fronteira com o Paquistão.
Históricamente, as montanhas que separam o Afeganistão do Paquistão não possuem governo oficial estabelecido, reinam as relações tribais.
A etnia "Pashtun" - a principal do país - é contra a ocupação ocidental e torna a vida dos americanos um tormento, principalente ali.

O Paquistão, aliado americano, é acusado de fazer "jogo duplo" e, muitas vezes complica os avanços americanos nessa região montanhosa. Lá, o Taleban ainda domina, e parece que essa situação não mudará tão cedo.

A paciência da opinião pública dos EUA está acabando e a vontade de investir dinheiro nessa guerra também.
Os ganhos econômicos advindos dos "gasoduto trans-báltico" não justificam o que já foi investido nessa guerra. (ver post: Fim da invasão americana no Iraque. Começo dos problemas no Afeganistão)

E os EUA já têm um plano "B", para esse país asiático. A solução "mágica" é dividir o país em dois, "excluindo" as incontroláveis áreas de montanha.

O Afeganistão "do Sul" continuaria vivendo no caos e no tribalismo, com suas células terroristas e plantações de papoula. Afeganistão do "Norte", que já está em estado avançado de controle pelos EUA seria totalmente pacificado pelas forças de coalizão. Quem sabe assim consigam contruir o tão desejado gasoduto.

É isso ou assumir uma humilhante derrota e retirar-se "fugido", tal qual um segundo Vietnã.


(Imagem: http://www.rand.org/content/dam/rand/www/external/publications/randreview/issues/summer2007/images/p19b.gif)

A arma que você usa hoje, amanhã pode ser usada contra você.

Essa é a conclusão que os americanos chegaram após dez anos de conflito no Afeganistão.

Ao desembarcarem em território asiático, a "coalizão" acreditava que seu maior desafio seria as minas terrestres e os "mísseis Stinger" - um tipo de bazuca. À medida que o conflito foi evoluindo, chegou-se à conclusão que eram as armas "leves" o maior problema da guerra (entende-se por armas "leves" todo tipo de armamento que um soldado pode carregar).
Parece que os EUA são a exceção nas guerras modernas. Os GPS, óculos de visão noturna e aviões "predator" (não-tripulados) não são fator dominante no campo de batalha afegão. A disputa asiática é marcada pelo "low-tech, low-price". Ou seja, muitas armas, muito velhas e muito baratas.

Os insurgentes Afegãos são mestres em guerrilha, aproveitam "rifles de ataque" "Lee Enfield" (foto abaixo) - usados por britânicos até a Segunda Guerra Mundial - como armas "sniper" de longo alcance. Fazendo considerável estrago nas "forças de Coalizão" ocidentais
Chegamos a três conclusões principais:

Um: O poder de adaptação dos guerrilheiros é bastante grande.
Dois: As armas construídas no século XX são muito resistentes e duráveis.
Três: Nada se perde, tudo se transforma.

A primeira conclusão não chega a ser novidade. A segunda, mostra que a indústria bélica aposta, há muito, na qualidade de seus produtos. A terceira mostra que "Lavoisier" está presente até no campo de batalha.

Há relatos de armas recuperadas junto aos afegãos com numeração de série que remonta ao ano de 1915.
Não é incomum encontrar rifles de assalto AK-47 da década de 50 ou 60 (foto 1).
São equipamentos simples de montar, consertar e manusear; possuem o mesmo tipo de munição desde que foram criados, em 1947, além de serem muito baratos. Nem sempre possuem boa qualidade de tiro, mas suas outras características compensam sua mira pouco apurada.

A terceira conclusão é a mais importante:

Sempre que um país produtor de armas cria uma nova arma mais eficiente suas forças armadas tendem a substituir o arsenal antigo. O que fazer com as armas que sobraram? Vender! É claro!
Vende-se para todos que se interessarem, até mesmo para um potencial inimigo.

Daí o motivo de se encontrar rifles britânicos de quase 100 anos nas mãos de seus "inimigos" . (os brianicos tentaram conquistar o Afeganistão na virada do século XX). Ou Rifles AK-47 -soviéticos- de 30 anos, ou mais (outro povo que tentou conquistar o Afeganistão na década de 80).

É capaz que num futuro próximo, armas norte-americanas - como o rifle M-16 - sejam encontradas nos arsenais afegãos. Basta que os EUA desenvolvam alguma arma mais moderna para substituí-la.

Enquanto o mundo discute o futuro das armas nucleares e químicas, não há política para as "armas leves". Estas continuam a circular pelo mundo sem restrições e matam anualmente muitas vezes mais pessoas do que qualquer arma nuclear ja fez.

O que é mais importante, regular as armas nucleares ou as armas leves?

Pergunte ao Pó.

(Imagens: http://espolson.com/wp-content//SMLE_No4_Mk1.jpg http://www.sedentario.org/wp-content/uploads/2009/10/ak47.jpg)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Pescador e a Garoupa, licoes do Conhecimento Tradicional aplicado.

Impressionante como 'as vezes, o conhecimento nao depende de formacao intelectual.

Como estamos no Verao, lembrei-me de um "causo" de minha infancia que mostra como o conhecimento tradicional tem grande valor.

Nos anos 90, meu pai decidiu que trocaria os veroes na Bahia por temporadas na praia de Cajaiba (Paraty). Hoje em dia, Cajaiba e' "pop" mas, naquela epoca, era uma praia de pescadores praticamente desconhecida do grande publico. Por conta do isolamento, fizemos amizades com quase todos os pescadores da regiao. Os turistas eram poucos e os nativos muito acolhedores.

Um desses pescadores tinha um grande "misterio" que intrigava ate' mesmo seus companheiros de profissao.

De tempos em tempos, esse caicara, chamado "Ceceu", aparecia com uma "Garoupa" (Epinephelus Marginatus) sempre com mais de 1 kg. Dizia ter pego com vara de pescar em uma toca que seu pai havia lhe mostrado quando ainda era crianca. Pescadores sabem que garoupas nao sao peixes de se pescar "na vara". Ou se pesca no arpao (como nos faziamos), ou voce tem "a sorte" de pega'-los em redes de arrasto, como faziam os outros pescadores. No "anzol" era rarissimo.

Ceceu contrariava a regra, saia com vara e linha e se empoleirava em uma pedra "X", que nao era nem tao escondida assim. Dali a algum tempo voltava com mais um peixe nas maos. Perguntado como fazia, despistava: "Fico conversando com eles e uma hora mordem a isca". (pescadore profissionais nao revelam seus metodos assim, de mao beijada). Havia dias em que ele saia sem o equipamento de pesca, mas ia para "aquela" pedra "conversar com os peixes".

Uma dessas vezes, mergulhavamos proximo 'a area em que ele ficava e, confesso que mesmo podendo observar debaixo d'agua , nao encontramos nada de "misterioso" no local em que ele se colocava.

Ficavamos muitos dias na praia, portanto foi possivel notar que havia um padrao no comportamento de Ceceu. As garoupas nao eram pescadas a todo momento. Notamos que as visitas em que ele nao levava vara eram mais frequentes do que 'as que levava equipamentos de pesca. Percebemos que ele devia respeitar algum periodo lunar, de mare' ou algo assim.... Ia em horarios marcados, tipo fim da tarde. Era bastante "cientifico" sem, na verdade, se-lo.

Um dia perguntei-lhe por que nao voltava com peixes toda semana ou mesmo todos os dias. Simplesmente me disse que "Nao era o certo".

Nao sei qual era o conhecimento formal que o caicara possuia, mas pude ver que entendia muito do ambiente em que vivia e ja' guardava conceitos inatos de "sustentabilidade". "O Segredo" que Ceceu mantinha vinha de seu pai . O sabio pescador mostrou -lhe que existe o momento de "dar" e o de "colher", que era melhor ter um pouco de cada vez, mas sempre, do que tudo de uma vez e nada mais.

Ceceu ia todos os dias 'a tal pedra dar de comer 'as pequenas garoupas. Quando estas chegavam a um tamanho razoavel - em determinada epoca do ano, ou lua - ele pescava. Sabia que se pescasse tudo de uma vez nao teria para o futuro e, portanto, criou esse engenhoso sistema. Como mantinha essa rotina, as garoupas ja' estavam acostumadas com a alimentacao "gratis" aos finais de tarde e, eventualmente, encontravam um "anzol" em meio 'a comida que recebiam regularmente. Nesse momento Ceceu garantia sua janta.

Nao vou 'a Cajaiba desde 93. Nao sei o que se passou com Ceceu e suas garoupas. Mas sua experiencia como pescador foi responsavel pela minha primeira aula pratica de "Sustentabilidade Ambiental". Por fazer do jeito "certo", acredito que o pescador nunca ficou sem comida. Se existissem outros com a consciencia desse pescador e' bem possivel que nao enfrentassemos sobrepesca em nossos litorais.


( Foto : http://www.pescasubrj.com/peixe/garoupa.jpg)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Coreia do Norte no Buraco.

Que "Wikileaks" que nada! Quem quer ser o centro das atencoes neste mes e' a Coreia do Norte.

Apos divulgar uma nova planta de enriquecimento de uranio e dar demonstracoes de "forca" ao bombardear uma ilha que disputa com a Coreia do Sul, o Governo de Kim Jong Il parece ter tomado gosto pelos holofotes. Aparentemente, os lideres da peninsula comunista reforcam seu desejo de "negociar" pela via da ameaca velada. Acabam de "deixar vazar" que estao perfurando um buraco de 1km de profundidade e que este ja' estaria na metade. A previsao e' que chegue 'a profundidade desejada em quatro ou seis meses.

E voce ai se perguntando por que um simples buraco merece analise.

Facil, escavacoes como esta so' tem uma razao de ser:

Sao feitas para a realizacao de TESTES NUCLEARES.

Atualmente nao e' mais possivel realizar experiencias atomicas "a esmo". Ha' severas punicoes para o pais que realizar explosoes nucleares na atmosfera, no fundo do mar ou no espaco sideral. Sendo assim, os paises que desejam por 'a prova seus arsenais devem faze-lo nas profundezas da terra, em buracos de 1km ou mais.

Aparentemente, esse e' o terceiro "buraco" do tipo contruido por Kim Jong Il, o que levaria a crer que os coreanos ja' encaminham seu terceiro teste atomico. Se estao testando a terceira bomba e' porque devem possuir outras mais. (Ou e' isso que querem nos fazer crer).

E', o pais pode ser pequeno e economicamente insignificante mas eles sempre arrumam um jeito de aparecer. Chamar para a "mesa de negociacoes" da maneira convencional e' que nao e' seu forte.

A Coreia do Sul e o Japao, como sempre, ja' estao de cabelos em pe'.

"Falem bem, falem mal. Mas, por favor, falem de mim!"



(Imagem fonte: http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/antoniopedro47.bloguepessoal.com/images/mn/1243882911/Coreia-do-Norte-e-o-Nuclear.jpg)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brasil reconhece a Palestina de 1967.

O Governo Lula esta' terminando mas algumas decisoes importantes tem sido tomadas nessa reta final de mandato do metalurgico.

O Brasil saiu do "muro" e oficializou sua posicao de apoio ao reconhecimento da Palestina respeitando as fronteiras de 1967. Tal atitude brasileira foi louvada no mundo arabe e condenada por Israel. Nao poderia ser diferente.

Extra-oficialmente, o Brasil ja' trabalhava com esse arranjo mas, ao externar sua posicao, da' maior forca politica ao Estado Palestino. Nao foi atoa que dias apos a atitude brasileira, a Argentina e Uruguai seguiram nossos passos.

Israel condenou a postura dos sulamericanos. Afirmou que o posicionamento e' "inoquo" e desnecessario. Nao ajuda o processo de paz e aumenta a tensao na regiao. Afirmam, ainda, que a postura brasileira limita qualquer chance do pais em interferir no processo de paz da regiao. Como quem diz: "Se voces sao favoraveis 'a Palestina, sao contra os Israelenses."

Ao contrario do que pensam as liderancas judaicas, acredito que o posicionamento brasileiro e' benefico. Nao e' porque o Brasil tem uma posicao que se transformara' em um pais inflexivel.
As negociacoes entre arabes e judeus enfrentam um de seus piores momentos. A ajuda de outros paises pode colaborar com a flexibilizacao das posturas e a busca de entendimentos. O Brasil pode se tornar importante nesse processo pois tem boas relacoes com quase todos os povos do mundo, e em breve mandara' tropas ao Libano, criando uma chance de se aproximar do conflito e de seus protagonistas.

Os Israelenses se esquecem que s reivindicacoes dos palestinos constam de resolucoes da ONU de longa data, os arabes apenas querem o que deveria ser seu por direito. Por falta de forca economico-militar, os palestinos sao sumariamente expulsos de suas terras tradicionais.

Equanto os refugiados palestinos sao "espremidos" em Gaza ou na Cisjordania (West Bank), as invasoes judaicas prosseguem. Pela forca militar controem muros de separacao, "check points", realizam embragos economicos e bloqueios de todos tipo. Para completar ampliam as ocupacoes ilegais em territorio originalmente palestino.

Essas sao atitudes incompreensiveis vindas de um povo que parece que se esqueceu o que e' ser marginalizado e perseguido.

Torco para que os lideres do "Likud" (Partido de extrema-direita judaico) nao se esquecam do sofrimento que seu povo passou nos ghetos de Varsovia, na decada de 30. Quem sabe assim sejam mais flexiveis nas negociacoes com seus "irmaos arabes".

Daqui, continuo torcendo para que a atitude brasileira ajude a acelerar os negociacoes de paz e nao a trava'-las.

(Imagem, fonte: http://www.bahianoticias.com.br/fotos/editor/Image/palestina_brasil.jpg)