terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"Dividir e Conquistar" - O Plano "B" dos EUA no Afeganistão .

Atualmente Há quase uma unanimidade entre analistas políticos em relação à derrota americana em solo afegão. São dez anos de "ocupação", muitas baixas, um gasto astronômico e pouco ganho real.

Deve ser feita uma ressalva. Algumas vitórias foram alcançadas pelos EUA:

A "Al Qaeda" teve seus "campos de treinamento" desmobilizados, os Talebans não controlam as capitais do país, estão circunscritos ãs áreas "rurais" e..... ( bom, talvez seja só isso mesmo).

Bin Laden, motivo primordial para a invasão, nunca foi encontrado. Há ainda uma vasta área do país (sul e leste) que são "incontroláveis". Tais regiões são classificadas como "Safe Heavens" ( em tradução livre: "Paraísos"), ficam na região montanhosa do país, fronteira com o Paquistão.
Históricamente, as montanhas que separam o Afeganistão do Paquistão não possuem governo oficial estabelecido, reinam as relações tribais.
A etnia "Pashtun" - a principal do país - é contra a ocupação ocidental e torna a vida dos americanos um tormento, principalente ali.

O Paquistão, aliado americano, é acusado de fazer "jogo duplo" e, muitas vezes complica os avanços americanos nessa região montanhosa. Lá, o Taleban ainda domina, e parece que essa situação não mudará tão cedo.

A paciência da opinião pública dos EUA está acabando e a vontade de investir dinheiro nessa guerra também.
Os ganhos econômicos advindos dos "gasoduto trans-báltico" não justificam o que já foi investido nessa guerra. (ver post: Fim da invasão americana no Iraque. Começo dos problemas no Afeganistão)

E os EUA já têm um plano "B", para esse país asiático. A solução "mágica" é dividir o país em dois, "excluindo" as incontroláveis áreas de montanha.

O Afeganistão "do Sul" continuaria vivendo no caos e no tribalismo, com suas células terroristas e plantações de papoula. Afeganistão do "Norte", que já está em estado avançado de controle pelos EUA seria totalmente pacificado pelas forças de coalizão. Quem sabe assim consigam contruir o tão desejado gasoduto.

É isso ou assumir uma humilhante derrota e retirar-se "fugido", tal qual um segundo Vietnã.


(Imagem: http://www.rand.org/content/dam/rand/www/external/publications/randreview/issues/summer2007/images/p19b.gif)

A arma que você usa hoje, amanhã pode ser usada contra você.

Essa é a conclusão que os americanos chegaram após dez anos de conflito no Afeganistão.

Ao desembarcarem em território asiático, a "coalizão" acreditava que seu maior desafio seria as minas terrestres e os "mísseis Stinger" - um tipo de bazuca. À medida que o conflito foi evoluindo, chegou-se à conclusão que eram as armas "leves" o maior problema da guerra (entende-se por armas "leves" todo tipo de armamento que um soldado pode carregar).
Parece que os EUA são a exceção nas guerras modernas. Os GPS, óculos de visão noturna e aviões "predator" (não-tripulados) não são fator dominante no campo de batalha afegão. A disputa asiática é marcada pelo "low-tech, low-price". Ou seja, muitas armas, muito velhas e muito baratas.

Os insurgentes Afegãos são mestres em guerrilha, aproveitam "rifles de ataque" "Lee Enfield" (foto abaixo) - usados por britânicos até a Segunda Guerra Mundial - como armas "sniper" de longo alcance. Fazendo considerável estrago nas "forças de Coalizão" ocidentais
Chegamos a três conclusões principais:

Um: O poder de adaptação dos guerrilheiros é bastante grande.
Dois: As armas construídas no século XX são muito resistentes e duráveis.
Três: Nada se perde, tudo se transforma.

A primeira conclusão não chega a ser novidade. A segunda, mostra que a indústria bélica aposta, há muito, na qualidade de seus produtos. A terceira mostra que "Lavoisier" está presente até no campo de batalha.

Há relatos de armas recuperadas junto aos afegãos com numeração de série que remonta ao ano de 1915.
Não é incomum encontrar rifles de assalto AK-47 da década de 50 ou 60 (foto 1).
São equipamentos simples de montar, consertar e manusear; possuem o mesmo tipo de munição desde que foram criados, em 1947, além de serem muito baratos. Nem sempre possuem boa qualidade de tiro, mas suas outras características compensam sua mira pouco apurada.

A terceira conclusão é a mais importante:

Sempre que um país produtor de armas cria uma nova arma mais eficiente suas forças armadas tendem a substituir o arsenal antigo. O que fazer com as armas que sobraram? Vender! É claro!
Vende-se para todos que se interessarem, até mesmo para um potencial inimigo.

Daí o motivo de se encontrar rifles britânicos de quase 100 anos nas mãos de seus "inimigos" . (os brianicos tentaram conquistar o Afeganistão na virada do século XX). Ou Rifles AK-47 -soviéticos- de 30 anos, ou mais (outro povo que tentou conquistar o Afeganistão na década de 80).

É capaz que num futuro próximo, armas norte-americanas - como o rifle M-16 - sejam encontradas nos arsenais afegãos. Basta que os EUA desenvolvam alguma arma mais moderna para substituí-la.

Enquanto o mundo discute o futuro das armas nucleares e químicas, não há política para as "armas leves". Estas continuam a circular pelo mundo sem restrições e matam anualmente muitas vezes mais pessoas do que qualquer arma nuclear ja fez.

O que é mais importante, regular as armas nucleares ou as armas leves?

Pergunte ao Pó.

(Imagens: http://espolson.com/wp-content//SMLE_No4_Mk1.jpg http://www.sedentario.org/wp-content/uploads/2009/10/ak47.jpg)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O Pescador e a Garoupa, licoes do Conhecimento Tradicional aplicado.

Impressionante como 'as vezes, o conhecimento nao depende de formacao intelectual.

Como estamos no Verao, lembrei-me de um "causo" de minha infancia que mostra como o conhecimento tradicional tem grande valor.

Nos anos 90, meu pai decidiu que trocaria os veroes na Bahia por temporadas na praia de Cajaiba (Paraty). Hoje em dia, Cajaiba e' "pop" mas, naquela epoca, era uma praia de pescadores praticamente desconhecida do grande publico. Por conta do isolamento, fizemos amizades com quase todos os pescadores da regiao. Os turistas eram poucos e os nativos muito acolhedores.

Um desses pescadores tinha um grande "misterio" que intrigava ate' mesmo seus companheiros de profissao.

De tempos em tempos, esse caicara, chamado "Ceceu", aparecia com uma "Garoupa" (Epinephelus Marginatus) sempre com mais de 1 kg. Dizia ter pego com vara de pescar em uma toca que seu pai havia lhe mostrado quando ainda era crianca. Pescadores sabem que garoupas nao sao peixes de se pescar "na vara". Ou se pesca no arpao (como nos faziamos), ou voce tem "a sorte" de pega'-los em redes de arrasto, como faziam os outros pescadores. No "anzol" era rarissimo.

Ceceu contrariava a regra, saia com vara e linha e se empoleirava em uma pedra "X", que nao era nem tao escondida assim. Dali a algum tempo voltava com mais um peixe nas maos. Perguntado como fazia, despistava: "Fico conversando com eles e uma hora mordem a isca". (pescadore profissionais nao revelam seus metodos assim, de mao beijada). Havia dias em que ele saia sem o equipamento de pesca, mas ia para "aquela" pedra "conversar com os peixes".

Uma dessas vezes, mergulhavamos proximo 'a area em que ele ficava e, confesso que mesmo podendo observar debaixo d'agua , nao encontramos nada de "misterioso" no local em que ele se colocava.

Ficavamos muitos dias na praia, portanto foi possivel notar que havia um padrao no comportamento de Ceceu. As garoupas nao eram pescadas a todo momento. Notamos que as visitas em que ele nao levava vara eram mais frequentes do que 'as que levava equipamentos de pesca. Percebemos que ele devia respeitar algum periodo lunar, de mare' ou algo assim.... Ia em horarios marcados, tipo fim da tarde. Era bastante "cientifico" sem, na verdade, se-lo.

Um dia perguntei-lhe por que nao voltava com peixes toda semana ou mesmo todos os dias. Simplesmente me disse que "Nao era o certo".

Nao sei qual era o conhecimento formal que o caicara possuia, mas pude ver que entendia muito do ambiente em que vivia e ja' guardava conceitos inatos de "sustentabilidade". "O Segredo" que Ceceu mantinha vinha de seu pai . O sabio pescador mostrou -lhe que existe o momento de "dar" e o de "colher", que era melhor ter um pouco de cada vez, mas sempre, do que tudo de uma vez e nada mais.

Ceceu ia todos os dias 'a tal pedra dar de comer 'as pequenas garoupas. Quando estas chegavam a um tamanho razoavel - em determinada epoca do ano, ou lua - ele pescava. Sabia que se pescasse tudo de uma vez nao teria para o futuro e, portanto, criou esse engenhoso sistema. Como mantinha essa rotina, as garoupas ja' estavam acostumadas com a alimentacao "gratis" aos finais de tarde e, eventualmente, encontravam um "anzol" em meio 'a comida que recebiam regularmente. Nesse momento Ceceu garantia sua janta.

Nao vou 'a Cajaiba desde 93. Nao sei o que se passou com Ceceu e suas garoupas. Mas sua experiencia como pescador foi responsavel pela minha primeira aula pratica de "Sustentabilidade Ambiental". Por fazer do jeito "certo", acredito que o pescador nunca ficou sem comida. Se existissem outros com a consciencia desse pescador e' bem possivel que nao enfrentassemos sobrepesca em nossos litorais.


( Foto : http://www.pescasubrj.com/peixe/garoupa.jpg)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A Coreia do Norte no Buraco.

Que "Wikileaks" que nada! Quem quer ser o centro das atencoes neste mes e' a Coreia do Norte.

Apos divulgar uma nova planta de enriquecimento de uranio e dar demonstracoes de "forca" ao bombardear uma ilha que disputa com a Coreia do Sul, o Governo de Kim Jong Il parece ter tomado gosto pelos holofotes. Aparentemente, os lideres da peninsula comunista reforcam seu desejo de "negociar" pela via da ameaca velada. Acabam de "deixar vazar" que estao perfurando um buraco de 1km de profundidade e que este ja' estaria na metade. A previsao e' que chegue 'a profundidade desejada em quatro ou seis meses.

E voce ai se perguntando por que um simples buraco merece analise.

Facil, escavacoes como esta so' tem uma razao de ser:

Sao feitas para a realizacao de TESTES NUCLEARES.

Atualmente nao e' mais possivel realizar experiencias atomicas "a esmo". Ha' severas punicoes para o pais que realizar explosoes nucleares na atmosfera, no fundo do mar ou no espaco sideral. Sendo assim, os paises que desejam por 'a prova seus arsenais devem faze-lo nas profundezas da terra, em buracos de 1km ou mais.

Aparentemente, esse e' o terceiro "buraco" do tipo contruido por Kim Jong Il, o que levaria a crer que os coreanos ja' encaminham seu terceiro teste atomico. Se estao testando a terceira bomba e' porque devem possuir outras mais. (Ou e' isso que querem nos fazer crer).

E', o pais pode ser pequeno e economicamente insignificante mas eles sempre arrumam um jeito de aparecer. Chamar para a "mesa de negociacoes" da maneira convencional e' que nao e' seu forte.

A Coreia do Sul e o Japao, como sempre, ja' estao de cabelos em pe'.

"Falem bem, falem mal. Mas, por favor, falem de mim!"



(Imagem fonte: http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/antoniopedro47.bloguepessoal.com/images/mn/1243882911/Coreia-do-Norte-e-o-Nuclear.jpg)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Brasil reconhece a Palestina de 1967.

O Governo Lula esta' terminando mas algumas decisoes importantes tem sido tomadas nessa reta final de mandato do metalurgico.

O Brasil saiu do "muro" e oficializou sua posicao de apoio ao reconhecimento da Palestina respeitando as fronteiras de 1967. Tal atitude brasileira foi louvada no mundo arabe e condenada por Israel. Nao poderia ser diferente.

Extra-oficialmente, o Brasil ja' trabalhava com esse arranjo mas, ao externar sua posicao, da' maior forca politica ao Estado Palestino. Nao foi atoa que dias apos a atitude brasileira, a Argentina e Uruguai seguiram nossos passos.

Israel condenou a postura dos sulamericanos. Afirmou que o posicionamento e' "inoquo" e desnecessario. Nao ajuda o processo de paz e aumenta a tensao na regiao. Afirmam, ainda, que a postura brasileira limita qualquer chance do pais em interferir no processo de paz da regiao. Como quem diz: "Se voces sao favoraveis 'a Palestina, sao contra os Israelenses."

Ao contrario do que pensam as liderancas judaicas, acredito que o posicionamento brasileiro e' benefico. Nao e' porque o Brasil tem uma posicao que se transformara' em um pais inflexivel.
As negociacoes entre arabes e judeus enfrentam um de seus piores momentos. A ajuda de outros paises pode colaborar com a flexibilizacao das posturas e a busca de entendimentos. O Brasil pode se tornar importante nesse processo pois tem boas relacoes com quase todos os povos do mundo, e em breve mandara' tropas ao Libano, criando uma chance de se aproximar do conflito e de seus protagonistas.

Os Israelenses se esquecem que s reivindicacoes dos palestinos constam de resolucoes da ONU de longa data, os arabes apenas querem o que deveria ser seu por direito. Por falta de forca economico-militar, os palestinos sao sumariamente expulsos de suas terras tradicionais.

Equanto os refugiados palestinos sao "espremidos" em Gaza ou na Cisjordania (West Bank), as invasoes judaicas prosseguem. Pela forca militar controem muros de separacao, "check points", realizam embragos economicos e bloqueios de todos tipo. Para completar ampliam as ocupacoes ilegais em territorio originalmente palestino.

Essas sao atitudes incompreensiveis vindas de um povo que parece que se esqueceu o que e' ser marginalizado e perseguido.

Torco para que os lideres do "Likud" (Partido de extrema-direita judaico) nao se esquecam do sofrimento que seu povo passou nos ghetos de Varsovia, na decada de 30. Quem sabe assim sejam mais flexiveis nas negociacoes com seus "irmaos arabes".

Daqui, continuo torcendo para que a atitude brasileira ajude a acelerar os negociacoes de paz e nao a trava'-las.

(Imagem, fonte: http://www.bahianoticias.com.br/fotos/editor/Image/palestina_brasil.jpg)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Patriotada"

Dilma vai aos poucos divulgando sua equipe e..... Surpresa!
Antonio Patriota (foto direita) foi indicado como proximo Chanceler do Brasil.

Ao contrario do que parecia, Dilma da' sinais de que inclinada a seguir o caminho ja' adotado por Lula nos assuntos externos. Bom sinal.

Como havia explicitado em meu post: "Esqueceram de Mim" ou "Dilma nao gosta de Amora" ,
temia que a guerrilheira rompesse a conduta politica adotada por Samuel Pinheiro Guimaraes e Celso Amorim chamando para o Itamaraty alguem com outras inclinacoes politicas. Como ja' havia afirmado, a nao-ida de Amorim 'a Asia apontava para a mudanca de rumos, o que felizmente nao ocorreu.

Dilma gostaria que uma mulher ocupasse o cargo de Chanceler mas, ao que parece, os nomes femininos que lhe foram apresentados nao agradaram. A "Folha de S. Paulo", que cogitou Nelson Jobim e Jose Viegas para a pasta, tambem errou (Gracas a Deus).

Tanto melhor, Patriota ja' vem atuando como escudeiro de Amorim ha' algum tempo, atualmente ocupa a Embaixada do Brasil em Washington (a mais importante das embaixadas brasileiras na hierarquia do Itamaraty) e e' protagonista da politica externa "Ativa e Altiva" brilhantemente iniciada por seu antecessor.

E' o nome mais adequado para a pasta.

Fiquei muito feliz por ter me equivocado.

Parabens Dilma.



(Fonte da Imagem: http://3.bp.blogspot.com/_8iibR7CFBog/TN1a6vqpQyI/AAAAAAAAbRw/72apTJUM-NM/s1600/burns-patriota.jpg)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Na Guerra do Afeganistao, menos e' mais.

Uma das frases mais batidas sobre o(s) conflito(s) do Afeganistao e' a que diz:
"Afeganistao e' o pantano americano". Ou "O Afeganistao foi o pantano sovietico".

Essas frases sao mais do que simbolicas, atualmente elas sao bastante reais. A "Foreign Policy" dessa semana explica um dos por ques os EUA tem passado dificuldades para "pacificar"o pais e livra-lo dos talebans.

Os EUA usam grande variedade de veiculos de apoio 'as tropas em suas incursoes pelo pais. A "cavalaria" norte americana é composta por "Carros-de-Combate" Abrahams (foto), o maior "tanque" do mundo, passando pelas "Hummer", SUV's normais - como Ford Explorer ou Nissan Pathfinder- e quadriciclos e "snowmobiles" .

Os EUA tem muito medo de baixas militares. Cada soldado morto no Oriente Medio faz com que haja grande repercussao na America. Por conta disso, as tropas americanas sao orientadas a patrulhar o pais com os grandes veiculos blindados e nao com os veiculos "leves".

Os especialistas classificam essa postura do Exercito Americano como "um erro". Esses veiculos maiores tem dificuldades para andar no solo afegao (que em determinadas areas e' mesmo um pantano). Sendo assim, os "monstrengos" tem que andar apenas por vias largas e asfaltadas e acabam perdendo o "elemento surpresa" - muitas vezes necessario em uma guerra de guerrilha como essa. O Contra-ataque dos talebans e' manjado, como as vias de acesso sao restritas, eles instalam poderosas minas terrestres nas poucas estradas asfaltadas que existem e aguardam a chegada dos comboios americanos para iniciar as emboscadas.

Os "tanques" tambem nao conseguem chegar a muitas das areas do pais. Ha' um grande numero de vilas que sao "encravadas" em meio a cadeias montanhosas, com caminhos estreitos demais para os blindados. Resultado: diversas regioes nao tem suporte dos americanos para garantir sua seguranca.

Os analistas afirmam que uma opcao viavel e' a de usar mais os veiculos "leves" deixar os grandes "carros de combate" para acoes pontuais. Com veiculos mais ageis, dependeriam menos das vias asfaltadas e acessariam com mais facilidade as regioes montanhosas do pais. Poderiam realizar maior numero de acoes noturnas e melhorar o "elemento surpresa".

Outra postura considerada errada, por ser "covarde", e' o numero de veiculos nas composicoes dos "comboios". As patrulhas sao compostas por, pelo menos, quatro veiculos, dessa forma, quando andam nas estradas formam uma grande "serpente", mais faceis de serem interceptados pelos misseis RPG (bazuca) das "forcas de resistencia". Os veiculos leves ajudariam a fragmentar os comboios que poderiam se "desmanchar" ou se reagrupar com maior rapidez.

O medo do aumento das mortes de soldados faz com que os EUA aumentem a blindagem de seus veiculos e, para esses analistas, o caminho mais correto seria diminui-la.

Um daqueles casos em que "menos e' mais"

(Aos que se interessarem, vai o link da reportagem - em ingles - da "FP" )




(Imagem Fonte: http://www.swapmeetdave.com/United/Salute/Abrams.jpg)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Coreia do Norte diz: "Hey! Olhe para Mim!"

Ontem, uma forte troca de tiros de artilharia entre as duas Coreias fez esquentar o clima na peninsula asiatica.

Oficialmente, as Coreias ainda estao em guerra ja' que nunca assinaram um "cessar-fogo" para acabar com o conflito de 1950.
Desde entao, a Coreia do Sul cresceu e se tornou um dos "Tigres Asiaticos", um dos paises mais industrializados da regiao.
Coreia do Norte se isolou em uma "ditadura socialista" das mais fechadas do globo, se "desindustrializou" e so' tem a China como grande parceiro.

Sem muito a oferecer ao mundo em termos economicos-comerciais, a Coreia do Norte, 'as vezes, da' um "susto" na comunidade internacional para que as pessoas se lembrem de sua existencia.
Ha' alguns anos afirmou que havia completado seu ciclo atomico e testou uma bomba nuclear (dizem...).
Seu vizinho do Sul e o Japao ficaram "de cabelo em pe', mas nao abriram dialogo.
No inicio deste ano, os norte coreanos afundaram um navio pesqueiro da Coreia do Sul em uma area de mar disputada pelos dois paises. Novamente o mundo se lembrou dos norte-coreanos, mas foi so'.
Agora, mais esse incidente em area de disputa.
Deve-se ressaltar que a Coreia do Sul e os EUA estao realizando exercicios militares em conjunto na mesma regiao nesse exato momento.

Clovis Rossi, na "Folha de S. Paulo" de hoje, afirma que esse e' um "pedido para conversar", e que, portanto, nao e' provavel uma volta dos conflitos na Peninsula Coreana.
Compartilho dessa posicao.

Uma guerra na regiao nao interessa a ninguem. Os motivos que levaram aos conflitos de 1950 ja' nao se justificam.

Aparentemente, esse "pedido" de dialogo ocorre por conta processo de sucessao na Coreia Comunista.
Se em um pais grande e solido a sucessao de governo pode ser motivo de preocupacao, imagine em um pais nas condicoes da Coreia do Norte.

E' um jeito curioso de pedir para conversar, mas ha' um dito em Politica Internacional:

"A guerra tambem e' uma forma de se fazer politica."


Kim Jong Il (foto) sabe disso.


(Em Tempo: A China deve acabar intervindo em favor da Coreia do Norte no Conselho de Seguranca da ONU e, assim, apaziguar mais essa crise.
O "Gigante Asiatico" e' o maior interessado em manter a ordem na regiao.
Em um possivel conflito, os refugiados de guerra norte-coreanos "inundariam" a fronteira da "Republica Popular" o que nao e' uma boa ideia para um pais que ja' tem pessoas demais.
Os chinenses usariam seu poder para acalmar o Ocidente ate' o proximo acesso de "negociacao" do Ditador Jong Il.)

(desculpe a falta de acentos, espero resolver isso essa semana)



(imagem: http://www.whateverlah.com/index.php/2006/10/11/719)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

"Esqueceram de Mim" ou "Dilma nao gosta de Amora"

A "Era Dilma" nem comecou e a ex-ministra ja' aprontou das suas.
O "debut" internacional de Dilma esta' ocorrendo na reuniao do G-20 na Coreia do Sul.
Momento de transicao, fim do "Governo Lula", clima de festa de fim de ano.... situacao propicia para homenagens e "concordia", certo?

NOT!

Celso Amorim, Ministro das Relacoes Exteriores mais longevo no cargo ( mais de 1o anos), merecia uma despedida mais digna de sua importancia.

Dilma e sua equipe de transicao "esqueceram" de mandar as passagens de Amorim para a Asia.

Que Amorim nao iria continuar ja' era sabido. Mas foi, no minimo, deselegante nao chama'-lo para a ultima reuniao de cupula de seu mandato como ministro.

Amorim e' um dos principais responsaveis pelo sucesso da politica externa do Governo Lula, aparte alguns erros (todos nos os cometemos), suas acoes elevaram o moral do Brasil no exterior e deram voz ativa ao pais nos foruns internacionais.

Na minha humilde opiniao, um dos melhores ministros que ja' ocupou a cadeira do "Itamaraty" em tempos recentes.

Ainda nao esta' claro o significado dessa postura de Dilma, imaginava-se que o sucessor de Amorim no Itamaraty seria Antonio Patriota, atual Embaixador do Brasil em Washington.

Patriota e' herdeiro legitimo da postura de Amorim e de Samuel Pinheiro Guimaraes, seria a escolha da continuidade.
Com o "passa-fora" aplicado a Amorim pairam duvidas sobre a vertente que o proximo governo adotara' na area externa.

A "Folha de S. Paulo" especula dois nomes para assumir MRE (Ministerio das Relacoes Exteriores):
Nelson Jobim (atual ministro da defesa) e Jose' Viegas (ministro da defesa do primeiro mandato de Lula).

Pessoalmente, acho que a proxima Presidente (me recuso a usar o termo "presidenta") deveria ser mais respeitosa com esse ministro que tanto contribuiu para o Brasil. Para honrar o legado de Celso Amorim deveria escolher Patriota (agora, tudo indica que nao).

Ao que parece, os "ventos de mudanca" ja' sopram no Planalto. Resta torcer para que sejam mudancas para melhor.....



(PS: Sigo com problemas para acentuar algumas palavras, agradeco a compreensao)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A Reforma do Conselho de Seguranca da ONU.

A reforma do Conselho de Seguranca da ONU e' um assunto que, volta e meia, surge nas discussoes sobre Relacoes Internacionais e Poder.

Para fazer um breve historico, a Conselho de Seguranca da ONU (C.S.-ONU). E' o organismo de "alta cupula" da Organizacao das Nacoes Unidas. E' no C.S.-ONU que a maioria das decisoes importantes sao tomadas, principalmente quando trata-se do assunto "guerra-paz".
O C.S-ONU tem 65 anos, possui 5 nacoes com cadeiras "permanentes" e outras 10 nacoes em cadeiras "rotativas".
As "cadeiras permanentes" (EUA, China, Reino Unido, Franca e Russia), pertecem aos vencedores da Segunda Guerra Mundial e sao as unicas que possuem direito a "veto" em votacoes.
Para se aprovar uma medida e' necessaria a aprovacao de 9 membros (incluindo os 5 permanentes), com apenas "UM" veto a proposta e' derrubada.

Apos os 65 anos de ONU, o mundo passou por grandes mudancas, todavia o C.S.-ONU continua igual 'a epoca de sua fundacao.
Muitas potencias e muitos paises emergentes pedem, ha' algum tempo, a reformulacao do orgao para uma "configuracao mais condizente com a realidade atual".
Dificil acreditar em um organismo de tanta importancia sem o Japao e a Alemanha como membros permanentes.
Entretanto, quando se fala em reforma imagina-se algo mais amplo, que afete todos continentes.

Os principais postulantes a vaga permanente sao:

Alemanha, Japao, India, Brasil e Africa do Sul.

Cada um desses paises sofre restricoes para sere aceito.

A Alemanha tem problemas com a Franca; o Japao e a India, com a China; a Africa do Sul, com a Nigeria; e o Brasil, com a Argentina e o Mexico.

A pressao para que haja a mudanca existe, assim como a vontade de manutencao do status quo (quem te Poder nao gosta de dividi-lo).

Volta e meia os paises se manifestam em relacao 'as tais mudancas, mas o fazem de maneira vaga e aleatoria. Ontem, foi o Presidente dos EUA, Barack Obama, que, em viagem 'a India, pregou a entrada do pais no C.S. .
A China encarou a declaracao de Obama como "provocacao de ultima hora", visto que os mandarins e os ianques travam uma verdadeira "guerra cambial" no ultimos meses.

O Ministerio das Relacoes Exteriores do Brasil recebeu a colocacao de Obama como "positiva", acreditando que o dialogo podera' levar 'a mudanca pretendida.

O otimismo do Brasil deve ser moderado.
Acredito que o C.S. -ONU sera' modificado, mas tenho minhas duvidas em relacao 'a maneira como isso ocorrera', e quando.
Nesse momento, concordo com os chinenses. A fala de Obama soa como "factoide jornalistico" para agradar indianos e para desviar as atencoes em relacao 'a estagnacao economica americana, 'a derrota parlamentar do Partido Democrata e 'a queda de popularidade interna de seu "Commander-In-Chief " .

A mudanca do C.S. e' aguardada, mas atos sempre foram mais significativos que palavras, continuamos 'a espera.

(Imagem Predio da ONU- fonte: site infoescola)


(desde ja' me desculpo pela falta de acentuacao de algumas palavras, venho enfrentando problemas com meu "micro", espero resolve-los em breve.)